Xi Jinping anunciou nesta quinta-feira (24), em discurso na Casa Branca, que a China vai enviar um casal de pandas-gigantes, batizados Ping Ping e Fu Shuang, ao Zoológico de Atlanta. É o mesmo zoológico que devolveu seus pandas à China no fim de 2024.

O gesto integra a visita oficial de Xi aos Estados Unidos.

Xi chamou o panda de "enviado da amizade" histórico entre os dois países, e Trump disse ter forjado uma "amizade verdadeiramente grande" com o líder chinês. Os dois discutiram segurança, tecnologia e inteligência artificial na reunião.

Desde quando a China usa pandas na diplomacia?

A prática começou em 1972, quando o premiê chinês Zhou Enlai presenteou os EUA com dois pandas durante a histórica visita do presidente Richard Nixon a Pequim. Entre 1957 e 1983, a China deu 24 pandas a 9 países como gesto de amizade.

Desde os anos 1980, porém, a China deixou de doar pandas e passou a alugá-los, em contratos que chegam a US$ 1 milhão por ano por casal, oficialmente destinados à conservação da espécie.

Por que os pandas saíram e agora voltam?

Entre 2023 e 2024, a China recolheu pandas emprestados a vários países em meio à tensão com o Ocidente. Os de Washington tiveram que sair até 7 de dezembro de 2023, e o contrato dos 4 pandas de Atlanta expirou no fim de 2024.

Nenhuma explicação oficial foi dada para a onda de devoluções, mas um especialista ouvido pela imprensa descreveu os pandas como um instrumento de influência, não apenas uma forma de tornar a China simpática aos olhos do mundo.

A tensão comercial e tecnológica segue no centro da relação. Nesta cúpula em Washington, Taiwan e a disputa por chips travaram parte das negociações, e Xi cobrou Trump sobre venda de armas à ilha.

Para o Brasil, a aproximação entre as duas maiores economias do mundo também tem efeito direto, do câmbio às commodities exportadas pelo país.

O que a troca de pandas realmente sinaliza

Os pandas saíram dos Estados Unidos no auge da tensão comercial entre as duas potências, entre 2023 e 2024, e voltam agora, na mesma semana em que Xi e Trump discutem chips, Taiwan e comércio na Casa Branca.

A China usa o animal há mais de 50 anos como barômetro da relação bilateral. Resta saber se o gesto simbólico agora vai se traduzir em acordo concreto sobre os pontos que ainda travam as negociações.