O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o presidente da China, Xi Jinping, nesta quinta-feira (24) em Washington, na primeira visita do líder chinês ao país em mais de uma década. A pauta bilateral inclui comércio, inteligência artificial e Taiwan.
Xi foi recebido com tapete vermelho e banda militar, numa cerimônia com guarda de honra, heliponto novo na Casa Branca e jantar de Estado, segundo o InfoMoney. A ilha asiática concentra mais de 90% da produção mundial de semicondutores avançados, aponta a Transmissão Política.
Taiwan é um dos pontos mais delicados da conversa.
Segundo a Transmissão Política, a China reivindica Taiwan como parte de seu território, e Xi deve pressionar Trump a parar de vender armas à ilha. Washington mantém controles sobre a exportação de tecnologia, e Pequim busca expandir a capacidade de produzir semicondutores e inteligência artificial.
É o segundo encontro dos dois líderes em três meses.
Em junho, as equipes de Trump e Xi fecharam uma trégua comercial que envolvia IA e commodities.
Nesta quinta, a pauta trouxe também as terras raras brasileiras, como mostrou a TV Sim Brasil.
O que isso muda para o Brasil?
Muda o tamanho do risco na cadeia de produção. Mais de 85% dos semicondutores usados no Brasil são importados, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Qualquer tensão que afete Taiwan chega direto às linhas de montagem brasileiras.
A dependência pesa na indústria automotiva, que usa chips em injeção eletrônica, freios e centrais multimídia. Uma eventual interrupção no Estreito de Taiwan é tratada como risco relevante para cadeias produtivas inteiras, aponta estudo do Ipea. O levantamento cita também energia e infraestrutura digital.
Em 2021, o consumo brasileiro de semicondutores somou US$ 11 bilhões, e só 8% da demanda foi atendida por fabricantes instalados no país, segundo o mesmo levantamento do Ipea.
Como o Brasil tenta reduzir a dependência
O Brasil tenta reduzir essa dependência com o Programa Brasil Semicondutores. Criado pela Lei 14.968/2024 e regulamentado pelo Decreto 13.065, de 15 de julho deste ano, o programa prevê integrar a indústria nacional de semicondutores às demais cadeias produtivas do país.
A Finep abriu uma chamada de R$ 100 milhões para financiar inovação no setor. O BNDES já aprovou parte do movimento: em setembro, o banco liberou R$ 84,86 milhões para a HT Micron produzir chips de memória no país.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o Brasil tem potencial para fabricar semicondutores em toda a cadeia produtiva. Hoje, a única etapa realizada no país é o encapsulamento, a fase final do processo.
O caminho é parecido com o de outros países que também dependem de Taiwan. O Japão negocia com os Estados Unidos uma fábrica de chips avaliada em até US$ 19 bilhões.
Nenhuma data de novo encontro entre Trump e Xi foi divulgada até a publicação desta matéria. O resultado das conversas desta quinta, incluindo eventual avanço nos controles de exportação de tecnologia, ainda não foi anunciado pelas duas comitivas.







































