Tifanny Abreu sofreu, na sexta-feira (6 de novembro), a terceira derrota seguida na Justiça e segue impedida de jogar a Superliga Feminina de vôlei. A 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro negou novo pedido da oposta do Osasco contra decisão da Justiça Desportiva.
A ação tenta anular o julgamento do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que manteve o impedimento da atleta. É a terceira decisão desfavorável a ela na disputa. Tifanny tem 41 anos e está em sua sexta temporada pelo Osasco.
"A mera discordância da parte autora quanto ao resultado do julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva não constitui, por si só, fundamento suficiente para justificar a suspensão de seus efeitos", escreveu a juíza responsável pelo caso.
O que já aconteceu no caso
Tifanny havia conseguido liminar em 16 de outubro e, autorizada a jogar, entrou em quadra na final da Supercopa contra o Praia Clube. Marcou 15 pontos, recebeu o Troféu VivaVôlei de melhor jogadora e ajudou o Osasco a vencer por 3 sets a 0.
A autorização durou pouco. Em 23 de outubro, o Tribunal de Justiça do Rio suspendeu a liminar, e o STJD rejeitou por unanimidade o recurso da jogadora.
A barreira que afasta Tifanny vem de uma mudança de regra. Desde agosto, a CBV exige teste genético negativo para o gene SRY das atletas da categoria feminina, seguindo critério do Comitê Olímpico Internacional.
Em nota, a CBV disse que a decisão representa "mais um resultado favorável à entidade" e reafirmou compromisso com decisões judiciais e desportivas. A entidade descreve sua Política de Elegibilidade como "norma geral, aplicável igualmente a todas".
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O outro lado
Tifanny ainda não havia comentado a decisão até a publicação desta reportagem.
Após o revés de outubro, ela havia publicado nas redes sociais: "podem tentar mudar os meus caminhos, mas jamais apagar a minha existência, a minha essência e o meu direito de seguir".
O caso já rendeu solidariedade de outras atletas. Em outubro, a bicampeã olímpica Fabiana Claudino criticou a falta de apoio a Tifanny no meio do vôlei.
O que acontece agora
Casos semelhantes já tiveram desfechos diferentes no país. Em junho, a Justiça de Mato Grosso anulou uma lei que barrava atletas trans de competições femininas em Cuiabá.
A ação de Tifanny segue tramitando na Justiça comum, sem data para julgamento final. Enquanto isso, o Osasco, que já foi campeão paulista nesta temporada, segue a Superliga sem sua oposta titular.
































