O presidente chinês Xi Jinping encerrou nesta sexta-feira (25) uma visita de três dias a Washington marcada por cerimônia e poucos acordos concretos. O resultado mais palpável foi a prorrogação da trégua tarifária entre China e Estados Unidos, de novembro para 10 de janeiro.
A recepção incluiu jantar de Estado com nomes como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jensen Huang, além de cerimônia do chá e visita ao Arquivo Nacional dos EUA. Juntos, China e Estados Unidos respondem por 43% do PIB mundial.
Sobre Taiwan, a imprensa estatal chinesa informou que Xi pediu aos EUA que passem a "se opor" à independência da ilha. Washington hoje diz apenas que "não apoia" a independência, e Trump não respondeu publicamente ao pedido.
Trump já adiou um pacote de US$ 14 bilhões em armas para Taiwan aprovado pelo Congresso americano, incluindo interceptores Patriot PAC-3 e o sistema antimíssil Nasams, e chegou a chamá-lo de moeda de troca com Pequim.
Para analistas ouvidos por agências internacionais, a cúpula mostrou uma China em posição mais forte. Xi voltou para casa sem nenhuma má notícia, num momento em que lida com o agravamento da crise imobiliária chinesa.
Para o Brasil, o desfecho da cúpula também tem peso econômico: as exportações de soja brasileira dependem do equilíbrio comercial entre as duas potências, que segue incerto enquanto durar a trégua provisória.
"A China e os Estados Unidos devem manter a linha de não conflito e não confronto entre si", afirmou Xi Jinping, durante a cerimônia na Casa Branca.
Trump respondeu que mantém "uma verdadeira amizade" com o rival chinês, "baseada no respeito mútuo e o interesse do nosso povo".
Foi a primeira visita de Estado de um líder chinês aos EUA desde 2015, sinal de que Washington e Pequim preferem administrar a rivalidade a deixá-la explodir, mesmo sem resolver nenhuma das divergências de fundo.
A cúpula também serviu de pano de fundo para um movimento diplomático paralelo. O Irã afirmou ter apresentado um novo plano de paz para encerrar o conflito com os EUA, incluindo a reabertura do estreito de Hormuz e a discussão do programa nuclear iraniano.
Ao mesmo tempo, a China defendia na Assembleia Geral da ONU a manutenção da trégua entre Teerã e Washington, firmada em 17 de junho.
As regras para a inteligência artificial também não avançaram, apesar de os EUA terem proposto um alerta sobre IA à China antes da cúpula. Trump já chamou os alertas do setor sobre riscos da tecnologia de "farsa".
O que a pompa não resolveu
A cúpula ficou marcada pelas honras raras a Xi e por um jantar de Estado, mas dois temas seguem sem resposta: o avanço militar sobre Taiwan e a regulação da inteligência artificial.
A própria trégua tarifária tem prazo curto, até 10 de janeiro, mesmo com Pequim tendo pedido pelo menos um ano, segundo a BBC.
O que acontece agora
Os dois líderes devem se reencontrar em novembro, na cúpula da Apec, em Shenzhen. Até lá, seguem pendentes as regras de inteligência artificial e o avanço além da trégua tarifária firmada até 10 de janeiro.









































