A China pediu em privado ao Irã que use sua influência sobre os houthis para conter o grupo no Mar Vermelho, atendendo a um apelo da Arábia Saudita, segundo a Reuters. Os houthis avançam sobre o Estreito de Bab el-Mandeb.

De acordo com três fontes ouvidas pela Reuters, a mensagem privada da China foi mais direta que o discurso público. Publicamente, Pequim defende moderação, diálogo e a retomada da segurança da navegação na região.

Nos bastidores, pediu que Teerã use o peso político que tem sobre o grupo para evitar uma nova escalada nas rotas de energia do Oriente Médio.

O Bab el-Mandeb é hoje a única via de escoamento que a Arábia Saudita ainda consegue usar. O Estreito de Ormuz está fechado desde o início da guerra entre Irã e Israel, há cerca de 60 dias.

O oleoduto Leste-Oeste saudita, criado como alternativa terrestre, foi paralisado depois de um ataque a drone. Manter aberta a última rota que ainda funciona é o interesse concreto por trás da pressão diplomática da China.

Os preços do petróleo já refletem o temor de um bloqueio total. O Brent fechou a US$ 107,54 o barril em 14 de setembro, alta de 2,8% no pregão, enquanto o WTI avançou a US$ 102,93, segundo o mercado futuro citado pela CNN Brasil.

O que muda no bolso do motorista brasileiro

O impacto chega ao Brasil pelo preço da gasolina. O governo já gastou R$ 37,5 bilhões desde março para segurar o repasse da alta aos postos e mantém a gasolina em R$ 3,05 por litro com subsídio, como o próprio presidente Lula já detalhou.

Como mostrou reportagem da TV Sim Brasil sobre o ataque ao oleoduto saudita, o Brasil importa mais de 25% do diesel que consome, o que expõe o preço interno a choques na oferta global.

Entre fevereiro e setembro, a gasolina brasileira subiu apenas 3,3%, contra 20,8% no mercado mundial no mesmo período, graças às medidas do governo.

O pacote de alívio tributário, porém, vale só até 9 de outubro. Depois dessa data, se a guerra no Oriente Médio continuar pressionando os preços, o custo deixa de ser bancado pelo Tesouro e passa para o bolso do motorista.

O que acontece agora

Não há prazo público para a resposta do Irã ao pedido chinês. O oleoduto Leste-Oeste saudita segue com a paralisação mais recente confirmada, sinal de que a rota terrestre alternativa também está vulnerável.

A tensão no Bab el-Mandeb já havia levado o Brent a US$ 109,97 na semana passada, e o mercado segue sem sinal de trégua nas duas frentes que ameaçam o fornecimento saudita.