Os Houthis completaram o controle total do estreito de Bab al-Mandeb, na saída do Mar Vermelho, depois de tomarem a ilha de Perim e cidades costeiras do Iêmen. O grupo apoiado pelo Irã avança sem resposta militar direta dos Estados Unidos.
O avanço começou com a tomada do porto de Mocha, em 10 de setembro, e se estendeu à ilha de Perim (Mayyun), a Dhubab, às ilhas Hanish e a seis distritos das províncias de Taiz e Hodeidah.
Ao todo, os Houthis passaram a controlar cerca de 5.400 km² a mais de território, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). Perim divide o Bab al-Mandeb em dois corredores de navegação.
Com a ilha, o grupo fechou o cerco sobre toda a rota marítima.
Nem os Estados Unidos nem a Arábia Saudita, principal aliado americano na região, têm um plano claro para conter os Houthis, segundo fontes ouvidas pela CNN. O governo saudita treinou por cerca de uma década as Forças Armadas do Iêmen, sem sucesso.
Por que os EUA não atacam os Houthis?
Os Estados Unidos preferem deixar o confronto por conta da Arábia Saudita, oferecendo apenas inteligência e dados para definição de alvos. O governo Trump sinaliza pouco interesse em usar as Forças Armadas americanas contra o grupo.
Os Houthis nos ligaram e não querem lutar conosco. Eles não querem que os ataquemos.
A frase é do presidente Donald Trump, dita no fim de semana anterior, na Irlanda. Para a ex-diplomata americana Barbara Leaf, a postura tem custo político.
“É uma maneira bastante dura de tratar a relação com um parceiro próximo, parecer privilegiar seu acordo com um grupo terrorista”, disse ela à CNN.
O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman chegou a pedir ataques americanos diretos contra os Houthis, mas o pedido foi rejeitado pela Casa Branca. Em meio à escalada, a Arábia Saudita reduziu as exportações de petróleo para a Europa neste mês.
O reino também decidiu não participar de uma reunião do Conselho de Cooperação do Golfo por causa de divergências sobre as negociações do Estreito de Ormuz.
O ex-embaixador americano Joey Hood resume o outro lado do tabuleiro: “o Irã está agora em uma batalha existencial e mobilizando todos os seus representantes”, afirmou.
Uma autoridade Houthi sênior disse à CNN que “os americanos enviaram uma mensagem de que não querem se juntar aos sauditas”.
Uma autoridade do Golfo resumiu o dilema: “ninguém quer lutar sozinho. Ou os sauditas lutam ou fazem um acordo com os Houthis”.
O que acontece agora
A Arábia Saudita segue sem decidir entre negociar com os Houthis ou insistir num confronto que já consome uma década de investimento militar sem resultado. A China já pressiona o Irã para conter o grupo.
O avanço é a continuação direta do cerco que o grupo já vinha fechando ao redor do Bab al-Mandeb na semana passada, quando o Brent chegou a US$ 109,97.
A escalada no Iêmen ajuda a explicar por que o diesel já custa mais caro no Brasil: o governo gastou R$ 6,6 bilhões só nesta fase para segurar o preço do combustível nos postos.





























