Uma juíza federal dos Estados Unidos liberou nesta quarta-feira (30) a compra da Warner Bros. pela Paramount, encerrando um impasse de meses na transação de US$ 110 bilhões. A decisão aprova o acordo fechado em 21 de setembro com 12 estados americanos.
A juíza Araceli Martínez-Olguín rejeitou os pedidos de grupos contrários, que queriam um acordo mais amplo.
"Essas esperanças e desejos de que o decreto de consentimento proposto fosse mais abrangente — ou alcançasse mais resultados — não constituem violações legais que justifiquem a rejeição, pelo tribunal, da solução negociada pelas partes", escreveu.
O que os estados conseguiram no acordo?
Os 12 estados, liderados pela Califórnia, alegavam que a fusão prejudicaria a concorrência em cinema e TV. Em troca de liberar o negócio, conseguiram um acordo de cinco anos que obriga a Paramount a cumprir cotas de lançamento de filmes nos cinemas.
A empresa também terá que manter separadas as negociações com operadoras de TV a cabo para os canais da Warner, e criar um conselho editorial para proteger a independência da CBS e da CNN americana.
É a marca de uma fusão que só andou quando virou também um acordo político: cada estado exigiu sua própria garantia antes de deixar passar. Nova York e Connecticut resistiam havia semanas por causa de proteções trabalhistas e editoriais.
O que muda para quem assiste streaming?
No curto prazo, nada muda para quem já assina HBO Max ou Paramount+. Mas a fusão junta duas operações que somam mais de 200 milhões de assinantes em mais de 100 regiões, incluindo o Brasil.
É um mercado onde a Netflix já havia perdido a liderança do streaming para outras plataformas.
A Paramount quer unificar Paramount+, HBO Max e Pluto TV numa só plataforma até o início de 2027. David Ellison, presidente-executivo, chamou a HBO de "joia da coroa" do setor e prometeu preservar sua independência criativa.
A aposta da empresa é cortar custos sem depender só de demissões: o executivo de estratégia Andy Gordon projeta economia de mais de US$ 6 bilhões, "grande parte dessa economia proveniente de fontes não relacionadas à mão de obra".
O que acontece agora
Fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos entraram com US$ 24 bilhões, sem direito a voto, para viabilizar o negócio, que já tinha aval em 66 jurisdições, incluindo o Brasil.
Paralelamente à decisão desta quarta, a Paramount anunciou que Ynon Kreiz, CEO de longa data da Mattel e responsável pelo sucesso de bilheteria de "Barbie", assumirá como co-CEO da empresa assim que a aquisição da Warner Bros. for concluída.































