A fusão entre a Yduqs e a Afya, anunciada em 23 de setembro, cria a maior rede de ensino superior privado do Brasil, com 16,6% das vagas privadas de Medicina do país. Em três cidades, a concentração preocupa o Cade.
A Yduqs, dona da Estácio e do Ibmec, e a Afya, maior grupo de faculdades de medicina do país, assinaram o acordo de fusão em 23 de setembro. Os acionistas da Afya ficam com 69% da nova empresa, e os da Yduqs, com 31%.
Já em agosto, as duas empresas tinham confirmado que negociavam a fusão, e as ações da Yduqs dispararam mais de 10% na B3.
A companhia combinada terá 176 campi e cerca de 5,9 mil vagas anuais de medicina, segundo analistas de mercado. É esse número que chama a atenção do Cade.
Em Ji-Paraná, em Rondônia, a fusão daria à nova empresa 100% das vagas privadas de Medicina da cidade. No Rio de Janeiro, a fatia chega a 48%, e em Teresina, a 53%.
Analistas identificaram outros mercados em que a companhia combinada passaria de 30% da capacidade local de vagas de Medicina, patamar que o Cade costuma tratar como mais sensível do ponto de vista concorrencial.
As vagas sobrepostas somam 15,5% da base combinada.
O que acontece agora
A fusão ainda depende da aprovação dos acionistas das duas empresas e do Cade, que pode exigir a venda de faculdades em mercados mais concentrados como remédio para liberar o negócio.
Cogna e a Cruzeiro do Sul, que já expande vagas de Medicina, aparecem como possíveis compradoras, segundo o Itaú BBA.
A expectativa das empresas é fechar a operação em até 12 meses. A operação foi estruturada como troca de ações, com R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs. Até lá, o negócio segue sob análise dos órgãos reguladores.
O ponto em aberto
A fusão promete ganhos de escala, mas o resultado final depende de quanto o Cade vai exigir de desinvestimento.
Se as três cidades mais concentradas tiverem de perder faculdades para a concorrência, o tamanho anunciado agora pode não ser o tamanho que a empresa combinada terá de fato.































