A mineradora australiana Lynas Rare Earths fechou acordo para comprar a Meteoric Resources, dona do projeto de terras raras Caldeira, em Poços de Caldas (MG). O negócio foi avaliado em cerca de R$ 3,5 bilhões e anunciado nesta quarta-feira (30).

O pagamento será feito integralmente em ações. Os acionistas da Meteoric passarão a deter cerca de 5,9% da companhia combinada, e a votação do negócio está prevista para janeiro de 2027.

O acordo depende de aval das autoridades brasileiras. A Lei 15.506, sancionada em setembro, criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), que pode homologar ou travar mudanças de controle em empresas com direitos minerários sobre minerais estratégicos.

Lula sancionou a lei em setembro, criando um colegiado com poder de vetar esse tipo de operação.

Pelo contrato, a Lynas terá de buscar o aval no Brasil e aceitar exigências que não sejam "pesadas demais" para o negócio. Se a aprovação for negada ou vier com condições sem acordo entre as empresas, a transação pode ser encerrada.

Nesse caso, a Lynas poderá ter de pagar à Meteoric uma multa de A$ 8,8 milhões.

Por que o projeto Caldeira interessa

O projeto Caldeira reúne o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China, segundo as empresas. O plano prevê 23 anos de operação e produção média de 12,5 mil toneladas anuais, com início previsto para 2028.

O estudo de viabilidade do projeto estima investimento de US$ 498 milhões (R$ 2,6 bilhões) para tirá-lo do papel, valor já projetado pela Meteoric antes da aquisição.

O Brasil tem a 2ª maior reserva de terras raras do mundo, mas extrai quase nada hoje, segundo levantamento do setor.

O movimento se soma a outro negócio recente. Em agosto, os EUA elevaram para US$ 1,5 bilhão o aporte na compra da Mineração Serra Verde, única produtora comercial de terras raras do país hoje.

A Lynas afirma que vai avaliar o potencial de separar os elementos de terras raras dentro do Brasil, etapa industrial mais avançada da cadeia. Não há, porém, compromisso formal de construir uma unidade de separação no país.

Produzir o minério é só a primeira etapa: separar os elementos de terras raras é o processo que mais agrega valor, e é nele que o Brasil ainda não tem fábrica nenhuma.

O que acontece agora

A conclusão do negócio depende da homologação do Cimce, colegiado que tem até dezembro para ser formalmente instalado. A votação dos acionistas está marcada para janeiro de 2027.