A Apple pode continuar vendendo milhões de iPhones e, ainda assim, perder uma fatia das compras feitas pelo celular. O alerta é do Bank of America e tem a ver com o avanço do Muse, agente de IA da Meta que faz compras pelo usuário.

O Muse percorre sites e serviços até fechar a compra sozinho. Lançado em 8 de setembro, o agente somou 2,5 milhões de downloads nas duas primeiras semanas e chegou ao topo da lista de apps gratuitos para iOS nos Estados Unidos.

A aposta em agentes de IA já é central para a Meta. Na semana passada, a empresa lançou a Meta Enterprise Platform para competir com OpenAI e Google também no mercado corporativo.

O analista Wamsi Mohan, do Bank of America, chama atenção para o controle sobre o caminho até a compra. Se o usuário recorre ao agente sempre que quer um produto, a Meta ganha espaço no momento em que surge a intenção de gastar.

Segundo o Bank of America, a Apple pode continuar vendendo aparelhos enquanto perde espaço na descoberta de produtos, nas indicações e no início das transações.

A Apple não precisa perder uma venda de iPhone para sentir o impacto. O risco está no negócio de serviços, que depende de o usuário continuar comprando dentro do ecossistema.

A Shopify abriu seu catálogo e a infraestrutura do Shop Pay ao Muse. Expedia e PayPal também estão integrados. A Amazon tomou o caminho oposto e bloqueou o acesso do agente à própria loja.

As ações da Apple caíram 2% depois do alerta, em 29 de setembro. Mesmo assim, o Bank of America manteve recomendação de compra para a empresa, com preço-alvo de US$ 370.

A resposta da Apple até agora é uma versão atualizada da Siri, construída sobre os chamados Apple Foundation Models e lançada junto com o iOS 27. Segundo Mohan, essa Siri ainda não tem algumas das capacidades do Muse, como agir sozinha em serviços de terceiros.

O que acontece agora

O Muse já disputa espaço com outros agentes de IA. Dias antes deste alerta do Bank of America, a OpenAI lançou o Dots, agente que também mira o domínio do Muse no mercado de compras automatizadas.

No Brasil, a disputa chega em um momento de aposta forte da Apple em hardware. A empresa lançou o iPhone Duo, seu primeiro dobrável, por R$ 21.999, há poucas semanas.