O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra de 114 lojas do Grupo DMA, dono das marcas Epa e Mineirão, pelo Supermercados BH. A negociação começou em abril e previa originalmente 120 lojas, seis a mais que o total aprovado agora.
Das 114 lojas, 75 ficam em Belo Horizonte. As demais estão espalhadas por outras 18 cidades mineiras, entre elas Contagem, com 10 unidades, e Ribeirão das Neves, com 5.
Seis lojas do acordo original foram retiradas depois que o Cade apontou risco de concentração de mercado nessas praças. É a primeira concessão que mostra o limite do apetite regulatório: nem toda expansão do grupo passou livre pelo órgão.
O que está sendo vendido é o ponto comercial e a estrutura das lojas. As marcas Epa e Mineirão continuam pertencendo ao Grupo DMA, e o contrato que diria se as unidades vão virar Supermercados BH está sob sigilo, a pedido das duas empresas.
O tamanho que o negócio cria
Com a compra, o Supermercados BH passa a somar 534 lojas e um faturamento projetado de R$ 35 bilhões por ano — R$ 26 bilhões da rede mineira mais R$ 9 bilhões do Grupo DMA.
O salto coloca o grupo em 4º lugar em faturamento entre os supermercados do país. Fica atrás apenas de Carrefour, Assaí Atacadista e Grupo Mateus, nomes que até pouco tempo pareciam fora do alcance de uma rede regional mineira.
Quem comanda esse crescimento é o empresário Pedro Lourenço, dono do Supermercados BH e também controlador do Cruzeiro. Ele comprou 90% da SAF do clube por R$ 600 milhões em 2024 e já investiu mais de R$ 500 milhões em contratações de jogadores desde então.
No mesmo setor, o Assaí também investiu em expansão: comprou 18 postos de combustível para reforçar sua rede.
A onda de fusões não é exclusividade do varejo alimentar. Na mesma semana, Yduqs e Afya assinaram uma fusão de R$ 9 bilhões no setor de educação.
O que falta para o negócio valer
A aprovação foi dada pela Superintendência-Geral do Cade, a primeira instância do órgão. A partir da publicação no Diário Oficial, corre um prazo de 15 dias para contestação, seja por empresas cadastradas no processo, seja por iniciativa dos próprios conselheiros.
Se alguém contestar, a compra fica parada até um novo julgamento pelo Tribunal do Cade. Sem contestação no prazo, as duas empresas ficam livres para concluir a transação.
O mesmo rito já valeu para outras fusões recentes, como a venda de uma fatia da CRDC para a B3, julgada pelo Cade sob recomendação de veto.
O ponto em aberto
As seis lojas excluídas do acordo por risco de concentração mostram que o Cade enxergou limite em pelo menos algumas praças mineiras. O órgão aprovou o restante sem nenhuma restrição.
Mas o contrato de venda segue sob sigilo, e ainda não se sabe se as lojas remanescentes vão virar Supermercados BH ou manter as bandeiras Epa e Mineirão.





























