O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente do Fed, Kevin Warsh, deveria ter votado contra a alta de juros aprovada em setembro. Mas disse não culpá-lo pela decisão, em entrevista à revista Time publicada nesta quinta-feira (1º).
"Não culpo Kevin Warsh. Eu provavelmente teria votado contra o conselho se estivesse no lugar dele", disse Trump à Time.
O Fed elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual no mês passado, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira alta desde 2023. Segundo o Fed, a decisão foi unânime.
O próprio Warsh votou a favor, e o banco central sinalizou novo aumento ainda neste ano.
Trump voltou a classificar o colegiado do Fed como "político" e disse que o conselho estaria agindo para prejudicá-lo. "Isso se tornou muito político. Não culpo você, Kevin. Acho isso muito ruim. Não é justo", disse o presidente.
"Temos um conselho muito hostil, e o conselho diz: 'Queremos prejudicar Trump'. Eles não estão fazendo isso por você. Estão fazendo isso porque sofrem da 'síndrome de aversão a Trump'", completou.
Por que Trump critica seu próprio indicado
Trump indicou Warsh para presidir o Fed em janeiro deste ano, e a escolha já levantava questionamentos sobre a independência do banco central americano. Na cerimônia de posse, o presidente disse publicamente que queria distância da decisão.
"Eu quero que o Kevin seja totalmente independente. Quero que ele seja independente e simplesmente faça um ótimo trabalho. Não olhe para mim, não olhe para ninguém, só faça seu trabalho e faça um ótimo trabalho", declarou Trump na ocasião, segundo reportagens da imprensa americana.
A cobrança por um voto contrário contradiz a própria promessa de independência feita meses antes. A fala chega dias depois de Trump já ter dito a Warsh, na reunião de setembro, que ele "podia muito bem votar com o conselho" porque "não ia fazer diferença".
Analistas e investidores americanos têm manifestado preocupação de que a independência do Fed esteja sob pressão política.
O que muda no Brasil
A alta de juros nos EUA reduz a vantagem da Selic brasileira para atrair capital estrangeiro. O mercado já reagiu: o Ibovespa acelerou perdas para cerca de 0,7% no dia da decisão, em meio às falas de Warsh na coletiva de imprensa.
O Fed já havia sinalizado mais juros nos EUA e reduzido a vantagem da Selic na semana seguinte à decisão de setembro.
A alta ocorreu no mesmo dia em que o Copom cortou a Selic. Apesar da pressão externa, o Ibovespa somou, no mês, a melhor alta mensal desde janeiro.
Dezesseis das 18 autoridades do Fed projetam ao menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026.
O que acontece agora
O Fed tem nova reunião de política monetária marcada para outubro, quando o mercado vai medir se o conselho segue o ritmo sinalizado em setembro.
Com a maioria dos dirigentes já favorável a outra alta até dezembro, o próximo encontro deve mostrar se Warsh mantém o voto alinhado ao colegiado ou cede à pressão pública do presidente que o indicou.































