O alto escalão da Caixa Loterias se reuniu com autoridades uruguaias entre 24 e 26 de setembro para debater o modelo de apostas do Uruguai, com monopólio da estatal Supermatch, na mesma semana em que o governo Lula vetou as bets no Brasil.
O veto foi assinado na sexta-feira (25). Já em 24 de setembro, o Diário Oficial registrou a viagem a Montevidéu do superintendente nacional de loterias, Gabriel Antunes Hess, e do diretor-executivo de governança e estratégia da Caixa, Tiago Cordeiro de Oliveira.
Segundo o Ministério da Economia do Uruguai, os brasileiros se encontraram com representantes da Dirección Nacional de Loterías y Quinielas (DNQL). No país vizinho, caça-níqueis digitais como o jogo do tigrinho são proibidos, e só se aposta em esportes.
A visita aconteceu dias depois de o presidente Lula dizer ao uruguaio Yamandú Orsi, em 21 de setembro, véspera da Assembleia-Geral da ONU, que tinha interesse em conhecer a política de bets do país vizinho, segundo post do próprio Lula no X.
O “modelo uruguaio” elogiado por Lula tem uma leitura mais crítica dentro do próprio Uruguai. O senador Felipe Carballo diz que o arranjo da Supermatch é, na prática, um “monopólio privado”.
Segundo Carballo, o Estado não fica com a maior parte dos lucros, já que a operação é concedida à empresa La Banca.
A Caixa afirma que, pela subsidiária Caixa Loterias, “analisa constantemente, de forma responsável e alinhada ao ambiente regulatório, o mercado de loterias” e por isso realiza “visitas institucionais” com frequência.
Auxiliares do governo dizem que a viagem, agendada antes do veto total, não significa retomada das bets, e que o foco era mesmo loterias. A medida provisória que baniu as apostas de quota fixa pode multar empresas e aplicativos em até R$ 50 milhões.
Procurada pela Folha, a Secom afirmou que a posição do governo está na própria medida provisória, que encerrou a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país.
O que acontece agora
O fim das bets já tem efeito calculado fora do governo. O Flamengo estima perda de até R$ 3 bilhões com o fim dos patrocínios de apostas no futebol, um dos setores mais afetados pela MP.






























