Pessoas com maior criatividade artística apresentam mais sintomas de problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e sintomas de psicose, segundo estudo publicado em 8 de outubro na revista Molecular Psychiatry. O mesmo padrão não aparece entre quem tem criatividade científica.
A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Max Planck de Estética Empírica, da Alemanha, com o Instituto Karolinska, da Suécia. A amostra reúne 14.658 gêmeos suecos nascidos entre 1959 e 1985, pesquisados em 2012-2013 e novamente dez anos depois, em 2022-2023.
Os cientistas avaliaram diferentes formas de criatividade, como música, escrita, dança, teatro, artes visuais, ciência e invenção. Também cruzaram os dados com sintomas relatados pelos participantes e diagnósticos psiquiátricos registrados em prontuários médicos.
A criatividade científica não mostrou associação significativa com a maioria das condições avaliadas. Em algumas medidas, apareceu relacionada a menos dificuldades de saúde mental, não a mais.
Para isolar o papel dos genes, os pesquisadores compararam gêmeos idênticos, que compartilham quase todo o material genético e o mesmo ambiente de criação. A análise indicou que fatores genéticos contribuem para o elo entre criatividade artística e saúde mental.
Isso não significa que os genes expliquem toda a associação. Os próprios autores afirmam que fatores ambientais também podem participar da relação e precisam ser investigados em novos estudos.
"Mais estudos são necessários para entender como a criatividade artística e a saúde mental estão ligadas", disse Penghao Xia, primeiro autor do artigo.
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A equipe também observou que sintomas depressivos no início da vida estavam associados, mais tarde, a maior abertura a novas experiências — disposição para experimentar ideias e atividades diferentes. Essa relação apareceu mesmo nas comparações entre gêmeos idênticos.
No Brasil, a saúde mental já é a maior preocupação de saúde para 58% da população, segundo levantamento recente.
A solidão aparece como o fator mais associado à piora do quadro no país.
No mundo, o custo da saúde mental pode triplicar até 2030, segundo outro levantamento.
O que isso muda para quem lê
O estudo não prova que a arte causa sofrimento psíquico, nem que o sofrimento gera talento artístico. Ele mostra uma associação genética compartilhada entre os dois — o tipo de achado que pede cautela antes de qualquer conclusão sobre causa e efeito.































