Um vídeo que mostra a candidata ao Senado Michelle Bolsonaro (PL-DF) discutindo com uma eleitora em Ceilândia (DF) viralizou neste domingo (4). A cena é um retrato pequeno de um fenômeno maior: o país atravessa o período pré-eleitoral mais hostil em dez anos.
A eleitora gritou "o inferno te espera" e "a sua mão é suja" repetidas vezes. Michelle, que vestia uma camiseta com os dizeres "Bolsonara de Ceilândia", se aproximou e questionou a mulher, dando início a um bate-boca filmado por quem passava.

O apelido na camiseta tem origem numa provocação: foi a primeira-dama Janja quem chamou Michelle de "Bolsonara da Ceilândia", em setembro, e a candidata decidiu se apropriar do termo.
O que os números mostram sobre a campanha
Um levantamento do Terra de Direitos e da Justiça Global contabilizou 354 casos de violência política no Brasil entre outubro de 2024 e agosto de 2026, uma ocorrência a cada 44 horas.
É alta de 18,4% sobre o período anterior, quando foram 299 casos, e o ciclo mais violento da década.
Ameaças somam 193 dos registros, seguidas por ofensas (71) e agressões físicas (51). Houve ainda 17 atentados e 11 assassinatos. Mulheres cis, trans e travestis foram metade das vítimas, e só 2,5% dos casos tiveram punição efetiva, segundo o estudo.
A maior parte dos episódios, 63%, atinge agentes políticos no nível municipal, como vereadores e prefeitos. O caso de Michelle chama atenção pela visibilidade, não pelo tipo de hostilidade, que pesquisadores já vinham registrando contra mulheres na política.
O que acontece agora
Michelle segue a campanha ao lado da governadora do DF, Celina Leão, que tenta a reeleição, e da candidata ao Senado Bia Kicis. O resultado do 1º turno sai ainda neste domingo, após o fechamento das urnas às 17h.
O ponto em aberto
Os números do Terra de Direitos cobrem até agosto, antes da reta final mais tensa da campanha. Não se sabe ainda como o clima evoluiu nas últimas semanas, nem se episódios como o de Ceilândia vão se repetir no pleito municipal de 2028.
































