A consultoria Frontexa, especializada em instalar empresas no Paraguai, recebeu 25 pedidos de consultoria nas 48 horas após a reeleição de Lula (PT), em 26 e 27 de outubro. O volume equivale a um quarto do recebido em 9 meses.
De janeiro a setembro, a Frontexa havia recebido cerca de 100 contatos de empresas interessadas em operar no país vizinho. A fundadora da consultoria, Suelen Raizer, atribui o salto a decisões que companhias vinham adiando.
"Estamos percebendo uma mudança importante no comportamento do empresariado. O resultado das eleições trouxe para o presente decisões que muitas empresas planejavam discutir só nos próximos anos", afirma Raizer.
Segundo ela, as principais preocupações das empresas envolvem custos de produção, a reforma tributária, encargos trabalhistas e a falta de previsibilidade para investir no Brasil.
O que atrai as empresas para o Paraguai?
O principal mecanismo é o regime de maquila, criado em 1997. A empresa mantém a sede no Brasil, fabrica o produto no Paraguai e o reimporta para vender no mercado brasileiro, com isenção de impostos sobre a matéria-prima importada.
Desde 2007, mais de 230 empresas brasileiras passaram a operar sob esse regime, 70% das mais de 320 companhias estrangeiras que escolheram o país.
O movimento não é exclusivo do governo atual, nem significa que essas empresas deixaram de operar no Brasil.
Segundo checagem da agência Aos Fatos, o correto é dizer que elas expandiram a produção para o Paraguai, sem fechar a operação brasileira.
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O que pressiona o mercado financeiro
A reeleição de Lula derrubou ativos brasileiros. Em uma única sessão, os juros futuros subiram 250 pontos-base, a Bolsa caiu quase 14% e o dólar fechou a R$ 5,40, segundo cobertura da TV Sim Brasil sobre o pregão.
Investidores reagiram à incerteza sobre o rumo das contas públicas.
O que acontece agora
O governo já sinalizou resposta à pressão: o secretário do Tesouro, Rogério Durigan, prometeu uma lei para garantir o centro da meta fiscal. A Frontexa não informou quantas das 25 consultas recebidas após a eleição devem resultar em instalação efetiva de empresas no Paraguai.































