O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e a líder do PP na Casa, Tereza Cristina (MS), articulam uma candidatura única contra o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta se reeleger para o comando do Senado em fevereiro de 2027.

Alcolumbre afirma ter pelo menos 48 votos para se manter no cargo, sete a mais que os 41 necessários. A eleição para a presidência do Senado é por voto secreto, o que torna a contagem impossível de confirmar antes da votação.

A federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre, mas os votos dos parlamentares do grupo seguem incertos. Em nota na quarta-feira (28), Tereza Cristina sinalizou que ainda não está fora da disputa.

Ela disse que os eleitos do partido, que tomam posse em fevereiro, têm direito de decidir por conta própria quem apoiar para a chefia da Casa.

O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) publicou vídeo dizendo que não apoiará Alcolumbre. Ele criticou o presidente do Senado por não avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Alcolumbre é contrário a colocar em votação pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial Alexandre de Moraes, com quem mantém relação próxima. A petição apresentada pelo senador Carlos Viana (PSD-MG) contra Moraes segue como "aguardando despacho" desde 4 de setembro.

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Marinho acredita que parte da bancada da federação pode não seguir a orientação dos próprios dirigentes. Ele e Tereza avaliam qual dos dois tem mais votos para vencer Alcolumbre, segundo pessoas a par das negociações ouvidas pelo Valor.

Fontes do PL dizem que Marinho é o preferido, mas a competitividade de Tereza será avaliada sem votos suficientes. Se Marinho vencer, ela poderia assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A CCJ analisa propostas de emenda à Constituição.

A principal estratégia de Alcolumbre é dividir os votos da bancada do PL, que terá 29 das 81 cadeiras do Senado a partir de fevereiro. É a maior bancada da Casa, mas insuficiente sozinha para eleger um presidente.

O PP e o União Brasil, que haviam apoiado Flávio Bolsonaro no 1º turno, hoje reforçam Alcolumbre no comando do Senado, movimento que ganhou força depois de o presidente Lula sinalizar apoio petista à permanência dele no cargo.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou reunião do partido para a próxima quarta-feira (4) para discutir a candidatura de Marinho, único aliado citado por Flávio Bolsonaro na carta que o senador enviou dos Estados Unidos.

A candidatura precisará ainda passar pelo crivo do partido em uma reunião na quarta-feira.

A frase é de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

O que acontece agora

O PL decide a candidatura de Marinho em reunião marcada para a próxima quarta-feira (4). A eleição para a Presidência do Senado acontece em 1º de fevereiro de 2027, por voto secreto, já com a nova composição da Casa.

A disputa também redesenha o papel de Tereza Cristina, cotada para vice de Flávio Bolsonaro mais cedo neste ano. Hoje ela negocia diretamente a disputa pela presidência do Senado.