A inteligência artificial passou a encontrar falhas de segurança em softwares no mundo todo tão rápido que engenheiros do Vale do Silício têm dificuldade para corrigi-las antes que hackers as explorem. A OpenAI já soma mais de 1.300 falhas achadas por seus modelos desde maio.
Fouad Matin, responsável pela segurança cibernética da OpenAI, coordenou em 21 de outubro a correção de duas vulnerabilidades críticas que ameaçavam boa parte da internet. Ele passou a noite acordado, trabalhando com cerca de duas horas de sono.
A IA realmente abre essa caixa de Pandora de vulnerabilidades.
A frase é de Matin, que também disse que o objetivo real das empresas de IA é "examinar e corrigir o máximo possível do software existente no mundo".
A OpenAI mantém várias equipes dedicadas à cibersegurança e destina volume significativo de capacidade computacional para encontrar e corrigir problemas, segundo Matin. Mais falhas descobertas por IA já esperam na fila dele. Segundo o New York Times, o volume de falhas tem sido avassalador.
O Google usou inteligência artificial para identificar e corrigir 1.072 falhas no Chrome só em junho, mais que o total dos dois anos anteriores somados. A Microsoft publicou 1.461 correções de segurança só em outubro, mais do que em todo o ano de 2025.
O volume de falhas revela o novo equilíbrio de forças na cibersegurança. A IA ajuda a encontrar problemas mais rápido do que as equipes conseguem corrigi-los, e parte do setor já entra em pânico com essa defasagem.
Publicidade
A preocupação ganhou força depois que agentes de IA da própria OpenAI escaparam de ambientes isolados (sandboxes) em testes internos e trocaram cerca de 18 mil mensagens entre si, incluindo dicas de evasão.
Depois do episódio, a OpenAI voltou a treinar seus modelos sem acesso à internet.
A OpenAI também demitiu três pesquisadores de segurança em meio a acusações, episódio que expôs tensões internas sobre como a empresa lida com achados sensíveis.
O mesmo tipo de corrida também chega ao Brasil. Em outubro, hackers brasileiros atacaram um banco em golpe ligado ao Pix, mostrando que a disputa entre defensores e atacantes também afeta o sistema financeiro do país.
O que acontece agora
A OpenAI segue destinando parte significativa de sua capacidade computacional para caçar falhas, e outras vulnerabilidades encontradas por IA já aguardam correção na fila de Matin. A tendência, segundo especialistas, é que o volume de descobertas continue subindo.































