Deputados da oposição na Argentina cobram explicações do governo de Javier Milei sobre a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no país, na noite de terça-feira (27), a caminho dos Estados Unidos. A deputada Marcela Pagano denunciou o caso à Justiça Federal de Puerto Iguazú.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina mudou de versão em menos de 24 horas. Na manhã de terça, negou o registro da entrada de Flávio. Na madrugada de quarta (28), confirmou a entrada às 22h50, pela ponte Tancredo Neves, sem impedimento legal.
Flávio embarcou em um jato de matrícula argentina rumo a Guayaquil, no Equador, de onde seguiu para Miami. Fontes da Casa Rosada disseram à imprensa argentina que o assessor presidencial Santiago Caputo acompanhou toda a operação ao lado do senador.
Segundo essas fontes, o voo foi contratado por empresas ligadas à embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires. Questionado sobre um possível pedido de asilo político a Flávio, o porta-voz presidencial argentino, Adrián Ravier, negou o pedido em coletiva na Casa Rosada.
"Quanto a Bolsonaro, não há nenhum pedido de asilo, portanto não há nada mais a acrescentar", disse Ravier. Milei e o chanceler Pablo Quirno não comentaram publicamente o caso até a noite de quarta.
Flávio Bolsonaro tinha proibição de sair do Brasil. Entrou na Argentina por Misiones.
A frase é do deputado Pablo Adrián Juliano, que pediu a interpelação do chanceler Quirno no Congresso argentino e formulou 91 perguntas sobre uma eventual colaboração do governo na fuga. Outro deputado de oposição, Esteban Paulón, de Santa Fé, chamou Milei de "cúmplice do foragido".
Ele atribuiu o desgaste bilateral às ofensas de Milei a Lula e a Alexandre de Moraes, do STF. Do lado governista, o deputado Agustín Romo, do La Libertad Avanza, comemorou nas redes que a cobertura "confusa" da imprensa ajudou Flávio a ganhar tempo.
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No Brasil, uma fonte diplomática do Itamaraty classificou o episódio como uma provocação ao governo brasileiro. O presidente Lula disse que o filho de Jair Bolsonaro "deve ou tem medo de alguma coisa" ao deixar o país.
A crise diplomática já vinha de agosto, quando o Brasil rebaixou a relação diplomática com a Argentina, depois de Milei chamar Lula de "ladrão e presidiário" e classificar Moraes de "lixo careca" no lançamento da candidatura de Flávio.
Do lado brasileiro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de "palhaço", e o ministro Guilherme Boulos (PSOL) chamou o argentino de "caricatura patética" e "puxa-saco" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Para auxiliares de Lula ouvidos pela imprensa, a sequência de acontecimentos reduz ainda mais a confiança entre os dois governos. Eles avaliam que o retorno dos embaixadores às respectivas capitais é hipótese improvável enquanto durar o atual governo argentino.
O que acontece agora
A denúncia de Pagano tramita na Justiça Federal de Puerto Iguazú, que pode usar imagens das câmeras da ponte Tancredo Neves e do aeroporto, planos de voo e a lista de passageiros do jato para apurar se houve ajuda oficial.
No Congresso argentino, o pedido de interpelação a Quirno ainda não tem data marcada.
No Brasil, a fuga também pode abrir caminho para um pedido de prisão preventiva contra o senador, segundo juristas ouvidos pela imprensa.
O avião que o levou aos Estados Unidos, via Equador, custou R$ 414 mil.































