A dona de um restaurante no Paranoá, no Distrito Federal, foi alvo de boicote depois de declarar apoio a Lula (PT) em seu perfil pessoal nas redes sociais, durante o 2º turno das eleições de 2026. O posicionamento viralizou em grupos de WhatsApp do bairro.
A empresária mantém o negócio desde 2017 e preferiu não revelar a identidade por receio de novas retaliações. Não é a primeira vez: em 2022, outra foto do perfil pessoal dela já havia circulado nos mesmos grupos.
No sábado (24), véspera do 2º turno, ela notou movimento abaixo do habitual. Recebeu então o alerta de um cliente: "Tem uns que são da direita bolsonarista queimando o seu estabelecimento por você ser do Lula", dizia a mensagem.
No domingo (25), dia da votação, o movimento voltou quase ao normal, mas as mensagens hostis continuaram. "Se depender de mim, seu comércio fecha. Quer cliente, vai procurar Lula e sua turma", escreveu um internauta.
"É um sentimento de raiva momentâneo", disse a empresária, com esperança de que os clientes que gostam da comida continuem frequentando o local. Também surgiram mensagens de apoio: "Parabéns! Amo seu restaurante! Comida deliciosa e preço muito justo", escreveu uma cliente nos comentários.
É um episódio entre milhares de casos que levaram o governo a agir contra esse tipo de boicote nesta semana.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o país somava 3.290 relatos de assédio eleitoral até a noite de quarta-feira (28). Desses, 1.353 chegaram só nos três dias após a votação do 2º turno.
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"Entender o porquê isso aconteceu no momento pós-eleitoral é um pouco difícil neste momento", disse à imprensa o procurador do trabalho Maurício Coentro Paes de Mello.
Parte das denúncias envolve listas de pequenos comércios que apoiaram a reeleição de Lula, compartilhadas em grupos de mensagem e sites que organizam boicote por estado.
O crescimento já havia aparecido na véspera, quando as denúncias saltaram de 1.937 para 2.364 casos em menos de 48 horas.
O que acontece agora
Nesta quarta (28), a AGU anunciou que vai pedir a remoção de posts e perfis que incentivam boicote e demissão de trabalhadores por apoio a Lula. A medida pode virar ação civil pública.
Advogados consultados pela imprensa afirmam que demitir por motivo político pode gerar indenização ao trabalhador. Qualquer pessoa pode denunciar assédio eleitoral ao MPT pelo site mpt.mp.br, com possibilidade de anonimato.































