O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal abra inquérito para investigar suspeita de financiamento estrangeiro à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições de domingo (25).

A decisão partiu de pedidos do candidato Renan Santos e do PT, que citam a atuação da Meta e de perfis estrangeiros em prol de Flávio. A Polícia Federal vai apurar as tratativas entre a Rockbridge Network e os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang.

A Rockbridge Network é organização americana cofundada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e reúne grandes fortunas da tecnologia e do investimento. Os investigadores também vão identificar quem pagou e contratou a publicidade eleitoral atribuída a perfis estrangeiros.

Segundo apuração da Folha, dois empresários ligados à Rockbridge ajudaram a campanha de Flávio com aconselhamento sobre venda de infraestrutura de inteligência artificial no Brasil, segundo seis pessoas próximas à campanha.

Dino também mandou apurar se o financiamento político teria relação com interesses em terras raras e minerais críticos brasileiros. A decisão também cobre eventual manipulação algorítmica de empresas de internet para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Ao justificar a abertura do inquérito, Dino foi direto:

Não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania.

A assessoria de Flávio afirmou, à época das primeiras representações, que a campanha não recebeu nenhuma verba ou estrutura estrangeira, prática proibida pela legislação eleitoral. Até agora, não há comprovação pública de que a Rockbridge tenha financiado a candidatura ou fechado acordo envolvendo minerais brasileiros.

O PT já havia pedido explicações ao STF, ao TSE e à PF em setembro. A decisão de Dino veio na ADPF 1.178, sobre aplicação de sentenças estrangeiras no Brasil. Ele determinou que a apuração tramite separada, sob supervisão do STF.

O que acontece agora

A Polícia Federal passa a conduzir as diligências sob supervisão do STF, diante da suspeita de envolvimento de parlamentares no caso. Flávio Bolsonaro já afirmou que vai recorrer à Justiça para pedir a cassação da chapa vencedora.

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O pedido de cassação ocorre no mesmo movimento em que o pedido de anulação de votos já esbarrou em números insuficientes.

Mesmo assim, o Centrão já reconhece a vitória de Lula e isola Flávio na contestação ao resultado.

Flávio também é alvo de outra apuração da PF, que investiga se ele cruzou para a Argentina rumo aos EUA após a derrota, em meio à repercussão internacional do resultado, em paralelo a este novo inquérito do STF.