Um relatório da Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) mostra que a sobrevida em cinco anos de pacientes com câncer nos Estados Unidos subiu de 49% para 71% desde o fim da década de 1970. Os números não podem ser aplicados ao Brasil.
O avanço aparece no Relatório de Progresso contra o Câncer 2026, da AACR, publicado pela revista científica Nature. Ele compara pacientes diagnosticados entre 1975 e 1979 com pacientes diagnosticados entre 2016 e 2022.
Sobrevida em cinco anos não significa cura.
Parte do aumento pode vir de diagnóstico mais precoce, e há quem viva mais de cinco anos com a doença ativa, ou morra de outra causa no período.
| Tumor | 1975-1979 | 2016-2022 |
|---|---|---|
| Todos os tumores | 49% | 71% |
| Leucemia mieloide crônica | 21% | 71% |
| Câncer de pulmão | 13% | 29% |
| Câncer de pâncreas | 3% | 14% |
| Leucemia linfoide infantil (até 19 anos) | 57% | 90% |
A leucemia mieloide crônica é o exemplo mais nítido do avanço. O imatinibe, lançado em 2001, bloqueia a proteína que faz as células doentes se multiplicarem. É a terapia-alvo que transformou a doença em condição crônica.
O pâncreas segue entre os tumores mais resistentes, com sobrevida de apenas 14% em cinco anos. Pesquisas apresentadas no encontro de 2026 da AACR mostram taxa de resposta de 47% a um novo tratamento, ainda em teste.
Os dados são americanos e não podem ser aplicados ao Brasil, segundo o onco-hematologista Breno Gusmão, do Comitê Médico da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale). Não existe, no país, um registro populacional comparável.
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O que explica o avanço desigual
O avanço varia por tipo de tumor. Cânceres com alvo genético conhecido, como a leucemia mieloide crônica, ganharam remédios específicos. Tumores mais silenciosos, como o de pâncreas, seguem sem diagnóstico precoce eficaz e avançam mais devagar.
No Brasil, a desigualdade no acesso ao tratamento do câncer de pulmão no SUS já afeta diretamente a sobrevida dos pacientes, mostra levantamento anterior.
Outro caminho é a prevenção: um estudo recente mostrou que o exercício supervisionado reduz a morte por câncer de cólon em 37%. Exames genéticos também já evitam quimioterapia desnecessária em mulheres com câncer de mama.
O ponto em aberto
Os números do relatório da AACR são americanos, e não existe um registro populacional brasileiro comparável que meça a mesma evolução por aqui.
Enquanto esse dado não existir, não dá para saber se o paciente brasileiro acompanhou o mesmo avanço nos tumores que mais dependem de diagnóstico precoce e acesso a terapia-alvo.





























