Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no 1º turno das eleições de 2026, a maior abstenção desde 1998. Para o cientista político Jairo Nicolau, da FGV, esse número não pode ser lido como desinteresse em massa pela política.
Segundo dados do TSE, o país tinha 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em 4 de outubro; 125,2 milhões compareceram às urnas. A abstenção chegou a 33,4 milhões de pessoas, 21,08% do eleitorado, ante 20,9% em 2022.
Antes de 2026, o recorde do período era de 1998, quando a abstenção bateu 21,49% no 1º turno de uma eleição geral. O índice deste ano ficou pouco abaixo desse patamar. A diferença entre os dois anos foi de apenas 0,41 ponto percentual.
Nicolau chama este ciclo de "campanha silenciosa", com menor engajamento dos eleitores. Autor do livro "O País Dividido", ele afirma que o total de ausentes reúne pessoas com motivos diferentes: eleitores não obrigados a votar e gente que mora longe do domicílio eleitoral.
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Há também problemas de cadastro: municípios com mais eleitores registrados do que habitantes.
"A gente não sabe porque não há pesquisa", disse o pesquisador, em entrevista ao g1. Segundo ele, os institutos concentram os levantamentos nas intenções de voto, e não nas razões que levam parte do eleitorado a não comparecer às urnas.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (9) perguntou aos eleitores os motivos para não votar no 1º turno de 2026. Viagem, problemas de saúde, desinteresse e trabalho lideraram as respostas, nessa ordem, segundo o levantamento.
O resultado reforça o argumento de Nicolau: só 13% dos ausentes citaram falta de interesse como motivo. A maioria afastou-se das urnas por razões logísticas ou pessoais, e o tamanho do fenômeno já entrou no cálculo de estrategistas para o 2º turno.
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Eleitores ouvidos pelo g1 também citam a burocracia para transferir o título eleitoral e problemas de acessibilidade nos locais de votação. A eleitora Bianca Dantas fez cirurgia no joelho duas semanas antes do 1º turno e não conseguiu subir as escadas até a seção eleitoral.
"Quantas pessoas deixaram de votar por essa mesma razão, né? Pessoas que sofreram acidentes, enfim, e isso foi muito frustrante para mim. Estar ali na porta e ter que virar as costas e ir embora sem poder votar", disse Bianca.
Quem faltou ao 1º turno pode votar no 2º?
Pode. Segundo nota do TSE publicada em 7 de outubro, a ausência no 1º turno não impede o eleitor de votar no 2º turno, marcado para 25 de outubro. Na 1ª hora após a votação, o TSE recebeu 1,1 milhão de justificativas.
A diversidade de motivos mostra que abstenção e desinteresse não são sinônimos: viagem, saúde e dificuldade de acesso pesam tanto quanto, ou mais, do que a apatia política.





























