A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram nesta sexta-feira (9) que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tenha prestado depoimento ou entregado documentos sobre um suposto financiamento do documentário "Lula", de Oliver Stone. A proposta de delação dele foi rejeitada.

A revista Veja publicou nesta sexta (9) um áudio em que Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões em espécie pelo documentário, lançado em 2024. Os recursos estariam ligados a negociações por acesso a fundos de pensão, segundo a reportagem.

Em nota, a PF afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito pela revista nem entregou documentos ou informações sobre o assunto.

Não houve depoimento oral do Sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa.

A frase é da PGR, em nota enviada à imprensa nesta sexta (9). O órgão afirma que as negociações foram conduzidas só pelos advogados de Vorcaro, sem interlocução direta com o ex-banqueiro.

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O que diz a defesa de Vorcaro

A defesa de Vorcaro nega que ele tenha prestado depoimento à PF ou à PGR durante as tratativas. Os advogados dizem não reconhecer "o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas".

No mesmo áudio, Vorcaro compara o caso ao documentário sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Diz que, no caso dele, "não foi porque pediu patrocínio", tratando o financiamento como formal.

A campanha de Flávio já havia evitado detalhar as contas do documentário Dark Horse, sobre o senador.

A AGU informou, na tarde desta sexta (9), que vai pedir direito de resposta e retificação das informações, sem descartar outras medidas legais. O instrumento está previsto na Lei nº 13.188/2015.

O que acontece agora

A campanha de Lula apresentou cinco medidas jurídicas contra o áudio: duas ações no TSE, distribuídas ao ministro Nunes Marques, duas junto à PF e uma indenizatória na Justiça do Distrito Federal, que pede R$ 100 mil por danos morais da editora da Veja.

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A reação chegou horas depois de a coordenação da campanha chamar a reportagem de "peça eleitoral irresponsável", linha agora reforçada pelas notas oficiais de PF e PGR.

É pelo menos a terceira vez em 2026 que uma proposta de colaboração de Vorcaro não avança. A primeira foi rejeitada em maio, por considerada superficial; a segunda, em junho.

O caso corre em paralelo ao rombo do Banco Master, apontado como o maior da história do país.