A jornalista Claudia Faissol, mãe de Luísa Carolina, filha caçula de João Gilberto, busca uma parceria para produzir e distribuir um documentário sobre o músico, morto em 2019 aos 88 anos. Ela já tem um curta-metragem de 15 minutos editado.

Falta ainda fechar o roteiro do longa, que não tem título definido. Faissol diz preferir uma empresa que também possa levar o projeto ao exterior, mas não há orçamento fechado nem diretor escolhido.

"JG autorizou tanto a biografia como o documentário em documentos com firma reconhecida em cartório", diz Faissol. A Folha teve acesso a duas autorizações, datadas de 2000 e 2005.

A mais recente tem seis páginas e 13 itens, e detalha a captação de recursos para o projeto audiovisual.

O acervo reúne fotos e filmes feitos desde os anos 1990 no Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Aracaju, Fortaleza, Vitória, Salvador e São Paulo, além de cidades como Nova York, Tóquio e Buenos Aires.

Inclui canções, cenas domésticas, viagens, bastidores de shows e gravações em que o músico responde a perguntas. Faissol ainda não sabe precisar o número de fotografias nem a duração total das filmagens.

Por que o acervo nunca tinha sido mostrado

Faissol diz que ainda não teve condições emocionais de rever todo o material. "O final da vida do JG gerou uma situação que me deixou em estado emocional muito abalada", afirma.

Publicidade

A maioria das fotos e quase todos os vídeos foram feitos por ela mesma. Depois do nascimento de Luísa, em 2004, ela passou também a contratar cinegrafistas para registrar as apresentações do músico.

João Gilberto tinha resistência conhecida a câmeras que não controlasse. Segundo Faissol, com a transição das câmeras analógicas para as digitais, ele passou a temer que técnicos tivessem acesso às gravações e as colocassem na internet.

"Ele dizia que não conseguia sentir-se à vontade em saber que estava sendo filmado", diz ela. Faissol conta que tentou convencê-lo por cartas e telefonemas, mas João argumentava que a filmagem atrapalhava a concentração necessária para tocar.

O que acontece agora

O projeto depende agora de uma parceira de produção. Faissol ainda precisa decidir diretor, orçamento e janela de lançamento para o longa.

Não é a primeira vez que alguém tenta registrar o músico em vídeo. O documentário "Onde Está Você, João Gilberto?" (2019) acompanhou um jornalista que passou cinco semanas no Rio tentando encontrá-lo e não conseguiu.

O interesse por essa geração da bossa nova segue vivo: Toquinho celebrou 80 anos como ícone do violão em julho.

Também contemporâneo de João Gilberto na MPB, João Bosco completou 80 anos celebrando a própria obra.

Em Belo Horizonte, o Savassi Festival celebrou o Clube da Esquina e outros nomes da música brasileira no mesmo espírito de preservar essa memória musical.