O influenciador e empresário Gabriel Spalone teve a prisão preventiva decretada nesta sexta-feira (9), suspeito de ameaçar dois empresários dizendo ser do PCC. Ele já é réu por suspeita de desviar R$ 146,5 milhões via Pix, em esquema investigado desde 2025.

O mandado foi cumprido pela 1ª Delegacia Antissequestro (Dope), e Spalone foi levado ao Centro de Detenção Provisória de Osasco (SP). Segundo a investigação, ele cobrava dois sócios da Cargobr Transportes por uma dívida milionária.

"Nunca existiu ameaça, extorsão e vínculo com o PCC, e ficará provada a sua inocência na instrução processual", afirmou o advogado de defesa, Eduardo Maurício.

Os empresários alegam ter compensado a dívida com valores de outro negócio que teria dado prejuízo a Spalone. A divergência sobre essa compensação, segundo a denúncia, motivou as cobranças e as ameaças.

Usar o nome do PCC para extorquir vítimas não é um caso isolado. A facção já havia sido citada em outro esquema de extorsão investigado em agosto.

Spalone é dono das fintechs Dubai Cash e Next Trading Dubai, e é réu por furto e associação criminosa no desvio de R$ 146,5 milhões via Pix. Ele chegou a ser preso pela Interpol na Argentina, extraditado ao Brasil, e obteve liberdade provisória em fevereiro.

O caso se soma a outro processo de fraude ligado ao mundo das fintechs em 2026. O Ministério Público denunciou os ex-donos da fintech Naskar por um esquema de fraude de R$ 900 milhões.

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O golpe do Pix foi o crime que mais gerou ações na Justiça brasileira em 2025, com 4.564 processos só entre janeiro e agosto, segundo levantamento do Jusbrasil com 129 mil decisões judiciais analisadas.

O Banco Central registrou alta de 70% nas perdas financeiras por fraude no Pix, concentradas em golpes de engenharia social que exploram a liquidez imediata do sistema.

Em resposta ao crescimento das fraudes, o Banco Central ampliou o prazo de contestação de golpes no Pix, de 30 para 80 dias.

O ponto em aberto

O processo sobre o desvio de R$ 146,5 milhões, aberto em 2025, ainda não teve desfecho.

A nova prisão chega enquanto o número de ações sobre fraude no Pix só cresce nos tribunais. O sistema foi pensado para ser rápido, e agora testa os limites da Justiça para apurar fraude na mesma velocidade.