Seis jornais franceses, entre eles Le Monde, Le Figaro e Libération, chamam o resultado do 1º turno da eleição brasileira de reviravolta. Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula, segundo o TSE, e aparece favorito no 2º turno, dia 25 de outubro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o placar final: 47,03% para Flávio Bolsonaro contra 45,16% para Lula, com a apuração concluída em todo o país. Nenhum dos dois chegou aos 50% necessários para vencer sem a segunda rodada.

A diferença de 1,87 ponto percentual entre os dois nomes foi lida pelo Libération como sinal de um país dividido. Segundo o jornal:

A pequena diferença mostra que o maior país da América Latina continua profundamente polarizado.

O Libération avalia que uma eventual vitória de Flávio uniria o Brasil à onda conservadora que cresce na América Latina sob influência do presidente americano Donald Trump.

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O Le Figaro chamou o resultado de surpreendente, já que as pesquisas davam vantagem a Lula até a véspera da votação. O jornal lembra 2018, quando os institutos também teriam subestimado a força da direita antes da vitória de Jair Bolsonaro.

Para o Le Monde, "Lula pagou o preço do descontentamento dos eleitores". O jornal afirma que o bolsonarismo segue vivo no Brasil e cita o resultado das eleições legislativas, com avanço de partidos de direita, como outro sinal que as pesquisas não haviam antecipado.

O Le Parisien destaca que Flávio, até pouco tempo "relativamente pouco conhecido em âmbito nacional", está perto de vencer o duelo contra Lula. A avaliação acompanha a trajetória do senador, que saiu de deputado estadual até a candidatura à Presidência.

O Les Échos aponta que Flávio superou os números do próprio pai no 1º turno. Jair Bolsonaro teve 46% dos votos em 2018 e 43% em 2022, nos dois turnos anteriores. Um cientista político descreve a campanha de Flávio como "quase impecável".

O La Croix descreve Flávio como "favorito" no segundo turno e diz que Lula tem dificuldade para achar reservas de votos suficientes para superá-lo. No Brasil, analistas já apontam a abstenção como o maior risco para a candidatura petista.

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A repercussão não ficou só no noticiário político. Com Flávio à frente no resultado, o dólar caiu abaixo de R$ 5 na semana seguinte ao primeiro turno.

Na bolsa de Nova York, ações brasileiras chegaram a disparar 15% no mesmo período.

O que acontece agora

O segundo turno acontece em 25 de outubro, data em que apenas Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência. Antes da votação, estão marcados os debates e as sabatinas entre os dois candidatos nas emissoras de TV e rádio.