Responsáveis pelo token B22, criptomoeda lançada para promover o voto em Flávio Bolsonaro (PL), trocam cobranças num grupo de WhatsApp desde o lançamento do ativo, na terça-feira (6), após queda no preço. A ministra Estela Aranha, do TSE, mandou derrubar o site na sexta (9).
O B22 é uma memecoin, criptomoeda associada a memes e tendências da internet, lançada na terça-feira (6). O site oferecia 30 mil tokens por pessoa a quem compartilhasse conteúdo pró-voto em Flávio nas redes.
O projeto dizia destinar parte dos recursos a crianças de Uganda, em parceria com o grupo Hypers Kids Africa, que soma 12,9 milhões de seguidores no Instagram.
Os números saíram do grupo de WhatsApp antes de virarem caso no TSE. Kevim Flores, principal divulgador do B22, passou a pressionar os participantes a sustentar o preço do ativo diante da queda, segundo mensagens às quais a Folha teve acesso.
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Vocês são um bando de frouxo
A frase é de Flores, escrita na noite de quinta-feira, pouco depois de uma queda na cotação. Ele disse que "só petistas" haviam vendido os investimentos e cobrou, no mesmo grupo: "Faça esse gráfico subir".
A campanha de Lula (PT) levou o caso ao TSE, alegando abuso de poder econômico, e pediu o bloqueio da página e a proibição de recompensas por propaganda eleitoral.
Depois da repercussão negativa, o grupo de Uganda apagou o vídeo de divulgação e anunciou que devolveria os 120 milhões de tokens recebidos na parceria.
Em nota publicada nesta sexta-feira (9), o grupo pediu desculpas ao público brasileiro. Disse que esperava apenas concluir a construção de uma casa com os recursos e que não queria envolvimento com partidos políticos.
O que diz cada lado
A campanha de Flávio afirma desconhecer a autoria do site e informou que tomaria medidas legais nas esferas eleitoral, cível e criminal para tirar a página do ar. O Brasil 22 Token nega vínculo com partido, candidatura ou campanha.
Flores disse ao grupo que arrumaria outro parceiro social, de preferência brasileiro, caso a HyperKids insistisse em devolver os tokens recebidos na parceria.
A fala mostra que a retirada da política do site não encerrou a distribuição de tokens: só mudou o discurso público do grupo.
A decisão da ministra Estela Aranha também mandou os registradores de domínio Spaceship e Cloudflare suspenderem o site do token B22, já alvo de suspeita por oferecer criptomoeda a apoiadores.
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Ela também determinou que os responsáveis pelo projeto, incluindo Kevim Guerra dos Santos Flores, cessassem a distribuição de criptomoedas ligadas à candidatura de Flávio. O texto da decisão também cita o influenciador Pablo Marçal.
O que acontece agora
O site do B22 já retirou os pedidos de voto e suspendeu a remuneração por compartilhamentos favoráveis a candidatos bolsonaristas. Segundo o próprio token, a comunicação será exclusivamente social até 25 de outubro, data do segundo turno.
A derrubada do site pelo TSE não encerrou a apuração. O caso segue para análise sobre eventual abuso de poder econômico, e a coligação de Lula também cobra a identificação dos responsáveis pela plataforma.































