O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira (9) torcer para que não haja "caos institucional" entre Executivo e Judiciário caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o presidente Lula (PT) no 2º turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Kassab reconheceu a tensão criada pela eleição de uma bancada bolsonarista forte no Senado, que sinaliza buscar o impedimento de ministros do Supremo. "Impeachment não pode ser bandeira", disse.

Eu torço para não haver nenhum caos institucional, né? Eu torço pela estabilidade das instituições, das relações. Eu confio muito na estabilidade da nossa democracia, não acho que [o caos] vai acontecer.

Questionado sobre como destravar a tensão entre os Três Poderes, Kassab resumiu: "Minha resposta é instituições funcionando", afirmou ao Poder360.

O que está por trás da tensão com o Senado

Entre os ministros mais mirados pela ala bolsonarista estão Flávio Dino, indicado por Lula em 2023, e Alexandre de Moraes, relator da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e dos réus do 8 de janeiro.

Publicidade

Na quinta-feira (8), Moraes mandou prender o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e cancelou seus passaportes, após condenação por coação no curso do processo. A imagem de Moraes também foi desgastada pela associação revelada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No mesmo dia, Nunes Marques disse que o impeachment de ministro do STF é pauta do Senado. A conta não fecha fácil: a Constituição exige dois terços dos votos para afastar um ministro, e o novo Senado não chega lá sozinho.

Como ficou o PSD depois da eleição

Kassab, vice derrotado de Ronaldo Caiado (que teve 2,18% dos votos válidos no 1º turno), disse não se arrepender da aliança. O PSD terá 5 senadores (tinha 14) e elegeu 43 deputados federais, abaixo dos 48 atuais.

"Nossa expectativa era de fazer uns 70 deputados federais, fizemos 43. É fácil de explicar: o PL cresceu muito, fez quase 130 deputados, e para isso levou uns 15 de cada um dos partidos grandes", disse Kassab à Folha.

O partido ganhou 4 governos estaduais, ante 6 antes da eleição, e pode levar um quinto no Amazonas. Apesar de Caiado ter declarado apoio a Flávio, Kassab afirmou que o PSD deixou seus filiados livres para escolher o candidato no 2º turno.

Publicidade

Ele evitou comentar cargos no eventual novo governo, dizendo manter uma posição de independência, embora o partido já tenha três ministérios na gestão Lula.

O que acontece agora

O 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro acontece em 25 de outubro. Até lá, a composição da nova bancada do Senado para 2027 segue como pano de fundo da disputa pelo Planalto.

O risco de impeachment de ministros do STF já foi colocado publicamente por aliados de Flávio, e é esse cenário que Kassab diz torcer para não ver se transformar em crise.