Lula (PT) recebeu 82,93% dos votos válidos em aldeias e terras indígenas no primeiro turno, segundo levantamento da CNN Brasil com dados do TSE, e venceu em 493 dos 542 locais de votação indígenas do país, quase o dobro do seu resultado nacional de 45,16%.

Flávio Bolsonaro (PL), que levou o primeiro turno com 47,04% dos votos válidos no total do país, venceu em apenas 48 dos locais indígenas mapeados.

Mais da metade desses 48 locais fica em Roraima, onde o senador obteve 56,39% dos votos válidos nas terras indígenas, contra 22,86% de Lula.

Os demais locais vencidos por Flávio somam dez, divididos entre Pará, Rondônia, Minas Gerais, Amazonas, Acre e Mato Grosso do Sul. Houve ainda um empate, na aldeia Cinta Larga de Roosevelt, em Espigão do Oeste (RO), onde Flávio e Lula tiveram 76 votos cada um.

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O voto indígena também destoou da votação municipal ao redor. Dos 255 locais indígenas situados em cidades que Flávio venceu no total, Lula levou a maioria em 216 deles.

Na maioria desses locais, o resultado dentro da aldeia foi o oposto do resultado da cidade ao redor.

O padrão se repete em outras regiões do país. No Nordeste, Maceió foi a única capital em que Bolsonaro venceu Lula, em meio ao domínio petista na região.

O mesmo descolamento apareceu na votação municipal do Nordeste como um todo, região em que Flávio avançou 1,6 milhão de votos, mesmo sem vencer Lula ali.

Nas comunidades quilombolas, Lula recebeu 64,91% dos votos válidos, vencendo em 101 dos 110 pontos quilombolas. Os nove locais vencidos por Flávio ficam no Rio de Janeiro (4), em Goiás (3), no Espírito Santo (1) e em São Paulo (1).

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O levantamento aponta um padrão no voto quilombola: locais vencidos por Flávio costumam ser grandes escolas com a designação "quilombola", de votação parecida com a do município. Onde o local é a comunidade, como no Maranhão, o voto em Lula fica acima da média municipal.

Como vota o eleitor indígena fora das aldeias?

A CNN Brasil mapeou locais de votação dentro de terras indígenas, mas a maior parte do eleitorado indígena do país vota em zonas urbanas comuns, sem recorte étnico nos boletins de urna.

No Distrito Federal, por exemplo, 763 eleitores indígenas de cerca de 100 etnias diferentes votam espalhados pela cidade, sem um local específico que permita medir o voto do grupo à parte.