O contrato de milho para entrega em dezembro recuou 4,10% na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (9), fechando a US$ 4,79 por bushel, depois que o USDA elevou a estimativa de produção dos Estados Unidos de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas.

A revisão para cima contrariou as projeções do mercado: analistas do setor privado esperavam uma redução na produção, para 399,20 milhões de toneladas.

Com o novo número, os Estados Unidos devem superar a marca de 400 milhões de toneladas de milho pelo segundo ciclo seguido. Na safra 2025/26, a colheita bateu recorde de 430,90 milhões de toneladas.

A sequência de revisões para cima do USDA é o que pressiona o preço em Chicago, referência que também baliza a receita do produtor brasileiro na exportação.

Em setembro, o órgão já havia surpreendido o mercado ao informar estoque de milho acima do esperado. Agora eleva também a produção.

A soja seguiu direção oposta: o contrato para novembro fechou em alta de 0,35%, a US$ 12,92 por bushel, mesmo com o USDA projetando maior oferta dos Estados Unidos.

Para o Brasil, o USDA cortou a estimativa de produção de trigo da safra 2026/27 de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas. O órgão projeta que o país precisará importar 7,5 milhões de toneladas para a demanda interna.

Representantes do setor avaliam que o volume pode chegar a 10 milhões de toneladas. O corte chega dois meses depois de a safra de trigo brasileira já ter caído 26,2% e o país ter previsto importação recorde para o ciclo.

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No cenário global, a produção mundial de trigo foi revisada de 822,43 milhões para 822,39 milhões de toneladas, enquanto a oferta total subiu 900 mil toneladas, para 1,1039 bilhão de toneladas.

A alta da oferta foi puxada pelo aumento dos estoques iniciais, principalmente na Austrália, com produção estimada em 31 milhões de toneladas. O consumo mundial também cresceu, para 827,9 milhões de toneladas, reflexo do maior uso para ração animal na China e na União Europeia.

Nos Estados Unidos, a estimativa de produção de trigo subiu de 41,66 milhões para 41,74 milhões de toneladas. Mesmo com a revisão positiva, o volume seria o menor da produção norte-americana de trigo desde 1970.

Na União Europeia, a previsão caiu 800 mil toneladas, para 133 milhões, principalmente por causa da Alemanha. Canadá e Turquia subiram 500 mil toneladas cada, para 36,5 milhões e 23 milhões de toneladas.

A Argentina manteve a produção em 21,5 milhões de toneladas, mas elevou a estimativa de exportação de 15,5 milhões para 16 milhões de toneladas.

Para o Brasil, o USDA manteve as projeções de soja e milho. A safra de soja 2026/27 segue estimada em 186 milhões de toneladas, o que seria recorde, superando as 180,50 milhões de toneladas da safra anterior.

A de milho ficou em 141 milhões de toneladas no ciclo 2025/26 e 139 milhões no seguinte. É o mesmo período em que o preço do milho no Brasil já subia mesmo com safra recorde.

A colheita dos Estados Unidos avançava 20% quando o USDA fechou os números.

O que vem a seguir

O próximo relatório mensal do USDA sai em novembro, quando a colheita dos Estados Unidos deve estar mais avançada. Segundo a Granar, os números de produtividade podem ainda mudar conforme o andamento da colheita e o clima. O mercado deve seguir sensível a cada atualização.