O SUS (Sistema Único de Saúde) fez nesta sexta-feira (9) o segundo transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial no Brasil, levando uma bolsa coletada no Ceará até Juiz de Fora (MG) para transfusão em paciente em estado grave, após transplante renal.
A coleta foi feita na quinta-feira (8), e a bolsa chegou ao destino nesta sexta. É o segundo transporte desse tipo no país: o primeiro levou sangue de São Paulo ao Piauí, em 12 de setembro.
A operação é viabilizada por uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas, que permite transportar bolsas compatíveis com mais rapidez, inclusive à noite, aos fins de semana e em feriados.
Por que esse sangue é considerado raro?
Nos testes pré-transfusionais, a equipe médica identificou no paciente o anticorpo anti-Jsb, que ataca glóbulos vermelhos com o antígeno KEL7. Como quase todas as pessoas têm esse antígeno, o sangue da maioria dos doadores é incompatível com ele.
Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Nesses casos, encontrar uma bolsa compatível pode exigir busca em vários estados.
O gargalo não é achar o doador certo uma vez, é manter o estoque de um tipo raro sempre disponível em algum lugar do país.
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Sem sangue compatível no território mineiro, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) e localizou um doador no Ceará, que foi ao hemocentro e doou no mesmo dia.
Como funciona o Cadastro Nacional de Sangue Raro?
Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o CNSR reúne hoje 2.032 doadores e já ajudou mais de 300 pacientes. Quando um hemocentro não encontra sangue compatível no próprio estado, pode acionar o cadastro nacional.
As regras para doar sangue no Brasil mudaram no fim de setembro, com novos critérios de triagem para doadores. Em Minas, campanhas como o Dia D de doação de sangue nas UAIs tentam ampliar o estoque disponível no estado.
O que acontece agora
O Ministério da Saúde prevê ampliar a identificação de pessoas com perfil sanguíneo raro e estruturar laboratórios de referência. O Brasil também deve aderir a uma rede mundial de sangue raro ainda em outubro, o que deve facilitar pedidos de unidades a outros países.
Pacientes renais como o atendido em Juiz de Fora são um grupo que já pesa nas contas do SUS: o sistema público paga até 360% mais por cuidado com doença renal crônica do que pela média de outros tratamentos.





























