A exportação brasileira de milho deve cair 25,5% em setembro, para 5,2 milhões de toneladas, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (10) pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). A queda ocorre no mesmo mês em que a soja bate recorde de embarques, com alta de 11%, para 7,74 milhões de toneladas.
A retração do milho tem duas causas. Do lado externo, a Argentina colhe uma safra recorde e ganha competitividade em relação ao Brasil, favorecida também pela valorização do real nos últimos 18 meses.
A consultoria Hedgepoint estima que a Argentina embarque cerca de 45 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, contra 43 milhões do Brasil. É o suficiente para tirar o país da 2ª posição no ranking mundial de exportadores de milho, atrás apenas dos Estados Unidos.
Acho que a Argentina pode ganhar share especialmente do Brasil em 25/26, por preços mais competitivos.
afirma um analista da consultoria Hedgepoint, em avaliação sobre o mercado de grãos.
Por que o milho também perde espaço dentro do Brasil
O milho também perde espaço dentro do país. As usinas de etanol de milho disputam cada vez mais o grão com o porto, e a produção do combustível deve somar 12,5 bilhões de litros neste ano, ante 10 bilhões na safra anterior.
O grão que vai para a usina de etanol deixa de ir para o porto. Cooperativas relatam maior procura de tradings e usinas pela safrinha desde a segunda quinzena de agosto.
Projetos já contratados podem elevar a produção de etanol de milho a até 17 bilhões de litros por ano.
A soja segue direção oposta. A Anec projeta 7,74 milhões de toneladas exportadas em setembro e um recorde de 2,6 milhões de toneladas de farelo de soja, o maior volume mensal do ano.
No acumulado até setembro, o país teria embarcado 102 milhões de toneladas da oleaginosa, perto do recorde de 108,68 milhões batido em 2025.
O desempenho do milho contrasta com o balanço mais amplo do agronegócio: as exportações do setor somaram US$ 87 bilhões no primeiro semestre, recorde para o período, mesmo com a queda nas vendas aos Estados Unidos.
O que muda daqui pra frente
A Anec atualiza a projeção de embarques todo mês, e o próximo boletim sai em outubro. Só ao fim do ciclo 2025/26 dá para confirmar se a Argentina realmente ultrapassa o Brasil no ranking mundial de exportadores de milho.


























