As exportações brasileiras para a Argentina somaram US$ 11,5 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, queda de 18% frente ao mesmo período de 2025, segundo o ComexStat. Especialistas dizem que o comércio segue normal, apesar das farpas públicas entre os presidentes Lula e Milei.

As importações brasileiras vindas da Argentina, no mesmo intervalo, subiram 4,4%, a US$ 9,95 bilhões. Na comparação em 12 meses, porém, houve queda de 4,7% nas compras feitas pelo país vizinho.

Em 2025, as exportações brasileiras à Argentina haviam crescido 31,4%, até US$ 18,1 bilhões, aponta o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O atrito entre os dois presidentes, porém, já apareceu outras vezes nos últimos meses.

Em julho, durante uma convenção do PSB, Lula chamou o argentino de "aquela coisa" e citou a "motosserra" do corte de gastos do governo Milei. Em agosto, Milei revidou ao chamar o petista de "corrupto" e "ladrão" em entrevista ao canal argentino LN+.

Milei também republicou nas redes uma foto que classificava governos de esquerda da região, com Lula entre eles, como "socialismo empobrecedor do século XXI". Na véspera do segundo turno, em 24 de outubro, chamou Lula de "ladrão e mentiroso" e falou em "campanha suja".

"Há divergências sobre o papel do Estado na economia, a importância da integração regional e o relacionamento com os Estados Unidos. São diferenças que dificultam a construção de uma agenda política comum", diz Tamya Rebelo, professora de relações internacionais da ESPM.

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É o único presidente sul-americano que não parabenizou Lula pela reeleição.

O porta-voz do governo argentino, Adrian Ravier, disse que o Executivo "tomou nota" do resultado. Ele lembrou que o próprio Lula não cumprimentou Milei pessoalmente após a vitória dele em 2023. Segundo Ravier, as divergências entre os dois presidentes não devem comprometer a cooperação bilateral.

O que o atrito pode custar ao Mercosul

Para especialistas consultados pelo jornal Valor, a fragilidade na relação entre os dois presidentes pode trazer impactos para o Mercosul, embora o comércio bilateral continue andando por conta própria.

O que acontece agora

O quarto mandato de Lula começa com a posse marcada para 5 de janeiro de 2027, data definida pela Emenda Constitucional 111 de 2021 no lugar do tradicional 1º de janeiro.

O governo brasileiro já sinalizou que pretende manter o pragmatismo nas relações com Trump e Milei. Giambiagi, do FGV Ibre, não vê motivo para o comércio bilateral mudar de rumo até lá.