O Brasil chegou a 84,2 milhões de inadimplentes em setembro, novo recorde da Serasa, com dívidas somando R$ 597,4 bilhões. Pela primeira vez, as financeiras ultrapassaram as contas básicas de água, luz e gás entre os maiores credores do país.

Elas já respondem por 20,66% da dívida total, contra 20,32% das contas básicas. Os bancos e cartões de crédito seguem na liderança, com 27,16%.

O recorde não é um salto isolado. Em março, a Serasa contava 82,8 milhões de negativados; em agosto, 83,9 milhões. Em seis meses, o total subiu 1,4 milhão de pessoas.

Desde 2020, o total de negativados cresceu 34,17%. Na comparação com setembro do ano passado, a alta foi de 6%. Entre agosto e setembro, entraram cerca de 300 mil nomes a mais na lista.

O crescimento aconteceu com o Desenrola 2.0, programa do governo que já teve o prazo de adesão prorrogado em agosto, justamente por causa da inadimplência em alta.

Em agosto, outro levantamento, da CNDL e do SPC Brasil, já mostrava dívidas antigas que não saem do radar mesmo com programas de renegociação em vigor há anos.

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A queda do score de crédito do brasileiro, outro termômetro do mesmo aperto, foi tema de reportagem da TV Sim Brasil em agosto, quando o gerente de Score da Serasa, Wesley Brandão, explicou o fenômeno assim:

Juros elevados, o custo de vida e dificuldades para manter pagamentos em dia.

Mulheres são a maioria dos negativados, 50,5% contra 49,5% dos homens. Quem tem de 26 a 60 anos soma 68,9% do total de inadimplentes. O brasileiro hoje atrasa mais parcela de empréstimo que conta de consumo.

O que acontece agora

A Serasa mantém a campanha Feirão Limpa Nome, com mais de 750 milhões de ofertas de renegociação disponíveis para quem está negativado. O Desenrola 2.0 segue em vigor, sem nova data anunciada para o fim do programa.

O ponto em aberto

O Desenrola 2.0 já teve o prazo de adesão prorrogado uma vez, em agosto, sem reverter a curva. A inadimplência sobe mês a mês desde o lançamento do programa, em maio.

Fica a pergunta se a renegociação de dívidas, sozinha, é capaz de conter um aperto que soma juros altos, custo de vida e um crédito cada vez mais concentrado em financeiras.