A economia da França encolheu 0,1% no terceiro trimestre de 2026, o único resultado negativo entre as grandes economias da Zona do Euro. Já a Espanha cresceu 0,6% no mesmo período, e o bloco europeu como um todo avançou 0,4%, segundo o Eurostat.

O resultado veio abaixo do esperado: economistas consultados pelo The Wall Street Journal projetavam leve crescimento para a economia francesa no período.

É a quarta vez em cinco trimestres que o PIB francês fica estagnado ou recua. Ele também havia caído 0,2% entre janeiro e março deste ano.

Como estão os vizinhos da França

Nenhuma outra grande economia da Zona do Euro encolheu no período. A Alemanha cresceu 0,2%, a Itália ficou estável, e Espanha e Países Baixos lideraram, com alta de 0,6% cada um, segundo dados preliminares do Eurostat.

Os números mostram o tamanho do descolamento: a distância entre o melhor e o pior desempenho da Zona do Euro neste trimestre é de 0,7 ponto percentual, só entre os cinco maiores países do bloco.

Por que a França ficou para trás

A resposta está na política, não só na economia. A paralisia num parlamento fragmentado, que já expôs a fragilidade do governo do premiê Lecornu, elevou os juros da dívida soberana francesa a máximas de décadas, afetando a confiança de empresas.

O FMI cortou a projeção de crescimento da França para 2026, de 0,9% para 0,4%, logo no início de outubro, alertando que o país precisa colocar as contas públicas em ordem.

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A atividade empresarial voltou a contrair em outubro, segundo pesquisas com gestores de compras. Uma sondagem com empresas registrou o nível mais pessimista sobre as perspectivas econômicas francesas em seis anos e meio.

O quadro fiscal francês já era tratado como risco antes deste resultado: em outubro, a França se aproximou de uma crise de dívida que acendeu alerta global.

O cenário econômico europeu mais amplo também tem efeito por aqui: a inflação na Zona do Euro já afeta o bolso do consumidor brasileiro.

O ponto em aberto

As próximas estimativas do PIB da Zona do Euro saem em 13 de novembro, ainda como dado preliminar sujeito a revisão.

A pergunta que fica é se a França consegue estabilizar as contas públicas antes que os juros da própria dívida se tornem o novo obstáculo ao crescimento.