O Partido Comunista Chinês (PCC) expulsou 33 dirigentes ao concluir o 5º Plenário do Comitê Central, na quinta-feira (29 de outubro), o maior expurgo já registrado no país. Entre os afastados está o general Zhang Youxia, o segundo militar mais poderoso da China.

Segundo o jornal britânico The Guardian, apenas 279 dos 376 integrantes titulares e suplentes do Comitê Central compareceram ao plenário. A ausência de 25,8% da composição original eleita em 2022 reflete o tamanho da purga promovida pelo presidente chinês, Xi Jinping.

Zhang Youxia era vice-presidente da Comissão Militar Central, o órgão que comanda o Exército de Libertação Popular. Também foi confirmada a expulsão de Ma Xingrui, ex-secretário do partido na região de Xinjiang.

A Comissão Militar Central, que tinha sete integrantes, ficou reduzida a apenas dois: o próprio Xi e Zhang Shengmin, responsável pelo combate à corrupção nas Forças Armadas.

Zhang Shengmin foi promovido nesta semana ao Politburo do PCC, um dos principais órgãos de direção do partido. Tornou-se o único representante militar na cúpula da liderança.

Mais cadeiras vazias ressaltam o foco do plenário na visão de Xi de uma disciplina interna rígida

A avaliação é de Neil Thomas, pesquisador sênior do think tank Asia Society, em publicação na rede social X.

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Por que o expurgo interessa ao Brasil

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, hoje concentrando 28,3% do comércio exterior brasileiro. A troca bilateral bateu recorde de US$ 143 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, puxada por exportações brasileiras de petróleo e soja.

Mudança na cúpula do partido que governa esse parceiro comercial recorde tem peso sobre a previsibilidade dessa relação, ainda que nenhuma das fontes apuradas indique efeito imediato sobre o comércio.

O estreitamento de Xi com o Brasil é recente: o presidente chinês parabenizou Lula pela reeleição três dias antes do fim do plenário, mesmo período em que tratou da maior purga interna do partido em décadas.

Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi tem priorizado o discurso de combate à corrupção no partido. No início deste ano, afirmou que o PCC precisa arrancar "árvores doentes" e que o combate à corrupção é uma jornada sem fim.

A campanha já atingiu funcionários de altos escalões do partido e das Forças Armadas. Levanta, entre analistas, a dúvida sobre se também funciona como instrumento para afastar rivais políticos.

O esvaziamento da Comissão Militar Central concentra o comando das Forças Armadas chinesas em praticamente uma só pessoa além de Xi, o que redesenha a hierarquia de poder dentro do partido.

O que acontece agora

O plenário desta semana preparou o terreno para o 21º Congresso do PCC, marcado para 2027. É nesse congresso que será decidido se Xi Jinping terá um quarto mandato à frente do partido, rompendo o limite informal de dois mandatos que vigorava antes dele.

A data exata do congresso ainda não foi divulgada pelo partido.