O Federal Reserve manteve nesta quarta-feira (28) a taxa de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, por 10 votos a 2. A decisão estreita o espaço para o Banco Central cortar a Selic, hoje em 13,75% ao ano.
Dois dirigentes do Fed votaram contra a decisão. Lisa Cook e Beth Hammack defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual, alegando que a inflação americana segue resistente.
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos avançou 0,6% em setembro e acumula 3,7% em 12 meses, quase o dobro da meta de 2% do Fed.
"O capital ficou mais escasso e mais caro no mundo todo", disse o economista Reinaldo Le Grazie, em referência ao efeito da política monetária americana sobre os mercados emergentes, caso do Brasil.
O ajuste segue dias turbulentos no mercado brasileiro. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a eleição, o dólar disparou 8% e a Bolsa caiu 14%, a maior queda do Ibovespa desde 2020, com acionamento do circuit breaker da B3.
Entre os dois turnos, o índice já havia subido 6,9%, com o dólar caindo 4,4%, movimento lido como aposta na continuidade da política econômica.
Nesta quarta, por volta das 12h, o Ibovespa ainda operava em queda de cerca de 2,9%, próximo de 170 mil pontos.
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O que muda no bolso do brasileiro?
O que muda primeiro é o custo do crédito e o preço do que o Brasil importa. Juro americano alto por mais tempo torna o dólar mais caro e pressiona o preço de combustível, eletrônico e insumo industrial trazido de fora.
Também encolhe o diferencial entre a Selic e o juro americano. Quanto menor essa distância, menos atraente fica carregar ativo brasileiro frente a um título do Tesouro dos EUA, o que tende a reduzir a entrada de capital estrangeiro.
Em setembro, o Banco Central já havia dito que não via motivo para um solavanco no câmbio mesmo com o corte da Selic em curso, mas a pressão do Fed agora reduz essa margem.
O mercado já espera nova alta de juros do Fed em dezembro, o que deve intensificar a disputa por capital global, com efeito mais forte sobre países emergentes como o Brasil.
O que acontece agora
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide a Selic em 4 de novembro, uma semana após o Fed. Até lá, o mercado reavalia se o espaço para outro corte encolheu.
A aposta em uma pausa no ciclo de cortes saltou de 17,5% para 62% em um único dia, em meio ao estresse fiscal do período pós-eleitoral.































