O Pix virou alvo oficial do governo dos Estados Unidos. O Representante Comercial dos EUA (USTR) classificou o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como barreira ao comércio em relatório entregue ao Congresso americano em 31 de março, abrindo caminho para tarifas contra produtos do Brasil.

O documento diz que o Brasil favorece seu "campeão nacional", garantindo ao Pix vantagens de disponibilidade, visibilidade e teto de tarifas. Segundo o USTR, isso prejudica os fornecedores de pagamento eletrônico dos Estados Unidos, as bandeiras de cartão dominadas por empresas americanas.

Por que os EUA querem taxar o Pix

Os Estados Unidos consideram o Pix uma ameaça porque o sistema tirou espaço das bandeiras de cartão, dominadas por empresas americanas como Visa e Mastercard. O Pix é gratuito para pessoa física e MEI, e cobra das empresas em média 0,33% por transação.

O cartão de débito cobra entre 1,23% e 2% por transação, e o crédito, de 3% a 5%. Em 2025, o Pix movimentou R$ 35,4 trilhões em 63,51 bilhões de transações, segundo dado do Banco Central citado pela CUT.

A diferença de custo não é novidade. O Pix já se destacava pela eficiência frente ao cartão de crédito antes mesmo da pressão americana.

Quanto mais brasileiro migra do cartão para o Pix, menor a receita das bandeiras dos EUA no país. É esse deslocamento que o relatório da USTR chama de ônus sobre o comércio americano.

A disputa não é nova. Em julho de 2025, o governo Trump já havia imposto tarifa de 50% a produtos brasileiros, citando a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e as perdas de empresas americanas com o avanço do Pix entre as justificativas.

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Com a eleição presidencial brasileira decidida, Brasil e Estados Unidos retomaram a negociação sobre o tarifaço. O Pix é hoje uma das peças dessa mesa, ao lado de etanol, aço, têxteis e fiscalização trabalhista.

A Folha de S.Paulo revelou, em setembro, uma lista de 21 exigências dos EUA ao Brasil nas negociações tarifárias. O texto cita compromisso de não criar regras de concorrência digital que restrinjam o comércio americano, formulação que pode mirar o Pix sem nomeá-lo.

O sistema, criado pelo Banco Central em novembro de 2020, já soma 1 bilhão de chaves cadastradas, cinco para cada brasileiro.

O que acontece agora

O próximo passo corre na Seção 301, mecanismo dos EUA para aplicar tarifas contra práticas comerciais consideradas desleais. O USTR publicou a proposta de ação em 1º de junho, mas ainda não marcou data para decidir se vai taxar produtos brasileiros por causa do Pix.

Enquanto isso, as negociações bilaterais seguem em paralelo. O Brasil pode ceder em algum ponto da política de pagamentos para evitar a tarifa, ou os Estados Unidos podem aplicar a taxação mesmo com a mesa de negociação aberta.