A inflação da zona do euro subiu para 3,8% em setembro, acima dos 3,2% de agosto e da previsão de 3,6% dos analistas, informou a Eurostat nesta sexta-feira (2). O custo da energia foi o principal motor da alta, puxado pelos combustíveis e pelo gás.

"Os dados de inflação de setembro não alteram nossa visão de que o BCE provavelmente esperará até dezembro para aumentar as taxas de juros novamente", disse Jack Allen-Reynolds, da consultoria Capital Economics.

O núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos e indica a tendência de fundo, passou de 2,4% para 2,5%, puxado pelos preços dos serviços, segundo o Eurostat. A meta do Banco Central Europeu (BCE) é de 2%.

O custo da energia subiu 18,8% em um ano, perto da maior alta desde 2022, segundo a Eurostat. Em países como a França, o aumento já provocou protestos de rua, e isso pode pressionar ainda mais as contas públicas do bloco.

O que muda no bolso do brasileiro

Juros mais altos na Europa valorizam o euro, mas o diferencial para a Selic brasileira, hoje em 14%, segue alto e segura a moeda europeia.

Após o anúncio do aumento de setembro, o euro fechou a R$ 5,93, 7,2% mais barato que no início do ano.

Para quem envia ou recebe dinheiro em euros, como imigrantes e famílias com parentes na Europa, o conselho de casas de câmbio é fracionar as remessas, já que a tendência de médio prazo é de euro mais forte.

O mesmo descompasso já acontece com o dólar, com o Fed e o Copom andando em direções opostas nos Estados Unidos e no Brasil.

No Brasil, o mercado também está em compasso de espera. A eleição deste domingo (4) pode mexer com dólar, juro e Bolsa por aqui.

O que o BCE decide em dezembro

A próxima decisão de juros do BCE sai em 17 de dezembro. Parte do mercado já precifica um novo aumento de 0,25 ponto percentual, enquanto outra parte acredita que o ciclo de altas já terminou neste ano.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, repete que as decisões dependem dos dados de cada reunião, sem sinalizar qual lado deve prevalecer em dezembro.