Cinco dias depois de Lula vencer o 2º turno, no domingo (25 de outubro), o Departamento de Estado dos EUA ainda não cumprimentou o presidente reeleito. O TSE divulgou, na quinta-feira (29 de outubro), que 107 países e 11 organismos já reconheceram o resultado.
O padrão chama atenção pela comparação direta. Equador, Colômbia, Honduras e Chile, todos alinhados a Donald Trump, foram cumprimentados por Washington no mesmo dia de suas respectivas eleições. Peru, Costa Rica e Polônia receberam a mensagem no dia seguinte.
Até aliados menos ideológicos tiveram resposta rápida: Coreia do Sul, Guiana e Bolívia foram parabenizados no mesmo dia da vitória de seus candidatos. Com o Brasil, não houve nenhum gesto equivalente até agora.
Questionado sobre a carta em que Flávio Bolsonaro se dizia "presidente eleito", Trump respondeu: "Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver." Também emendou que "foi uma eleição muito estranha".
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Foi a segunda vez em três dias que evitou se posicionar sobre o resultado.
Há duas semanas, congressistas americanos enviaram carta ao Departamento de Estado cobrando um posicionamento de Marco Rubio sobre o pleito brasileiro. A resposta não foi assinada pelo secretário de Estado: coube a Katherine Bowles, subsecretária para Assuntos Legislativos, enviar o texto.
O que mostra o levantamento do TSE
O tribunal contabiliza manifestações recebidas desde o 2º turno em um painel que é atualizado a cada 15 minutos. Entre os países que já parabenizaram Lula estão China, Alemanha, França, Espanha, Canadá, Rússia, Austrália, Portugal e Reino Unido.
A lista de organismos inclui OEA, União Europeia, ONU, União Africana, CPLP, Cepal, BID, OPAS, OMS, Conselho Europeu e Asean. Mesmo Giorgia Meloni, aliada declarada de Trump, já havia cumprimentado o petista dois dias antes do levantamento.
A própria embaixada dos Estados Unidos em Brasília contraria, na prática, o silêncio público de Washington. Em relatório enviado ao Departamento de Estado na segunda-feira (26 de outubro), classificou a vitória de Lula como "definitiva" e "surpreendente".
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Para analistas ouvidos pelo Valor em Washington, Trump evita o desgaste de não reconhecer o novo governo brasileiro.
Ao mesmo tempo, mantém aberta a porta para que a ala mais ideológica de seu entorno, ligada a Rubio, continue com influência sobre a política americana para a América Latina.
O silêncio institucional sobre o Brasil abre espaço justamente para essa ala mais ideológica ocupar o espaço que normalmente seria do protocolo diplomático, segundo essa leitura. O presidente do TSE já havia afirmado, sem citar Flávio, que a eleição foi legítima.































