O petróleo Brent fechou em queda de 0,84% na quinta-feira (29 de outubro), a US$ 110,80 o barril, após sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã. O WTI recuou 0,76%, a US$ 102. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, teria contatado autoridades iranianas.
Segundo o site Semafor, a Casa Branca mantém tratativas para um acordo temporário de paz. Um obstáculo é a possibilidade de retomada de ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato dos EUA.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou no X que qualquer avanço depende da aceitação de sete condições impostas por Teerã. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, disse que Teerã seguia dando uma chance à diplomacia.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, demitiu o principal responsável pelo planejamento militar do Pentágono. É mais um desligamento em uma série recente de generais americanos.
O risco de novos ataques no Estreito de Ormuz segue no radar dos investidores. O Irã afirmou que três petroleiros explodiram e pegaram fogo nas últimas 24 horas, depois de atingirem minas navais ao tentar cruzar uma rota não autorizada no estreito.
Os houthis também ameaçam a Arábia Saudita.
Uma semana antes, em meio ao pico do conflito, o Brent havia chegado a US$ 117,17 o barril, no dia 22 de outubro, levando o governo brasileiro a discutir subsídio ao diesel para 2027.
A queda desta quinta-feira é o segundo recuo em dez dias. O Brent já havia caído a US$ 108,79 no dia 20, também em meio a sinais de diálogo entre os dois países.
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O que diz o mercado sobre o risco de escalada
O mercado aposta no cenário mais otimista entre as negociações e a guerra, mas com cautela. É a leitura de Bas van Geffen, estrategista macroeconômico sênior do Rabobank, para quem os preços já refletem esse otimismo, mesmo com o risco de escalada militar ainda presente.
Os mercados de petróleo parecem estar precificando, neste momento, o cenário mais otimista, ainda que com cautela, entre esses dois desfechos possíveis.
Van Geffen lembra que Trump mantém sobre a mesa a possibilidade de escalada militar após as eleições de meio de mandato dos EUA. Para Dennis Kissler, do BOK Financial, "a maioria dos traders ainda sente que a escalada da guerra provavelmente está por vir".
Já o analista Phil Flynn, do Price Futures Group, avalia que os riscos de transporte em torno de Ormuz e do Mar Vermelho seguem elevados, mesmo com os fluxos do Golfo recuperados a níveis pré-guerra em alguns pontos.
Enquanto o mercado aposta na diplomacia, basta um novo ataque em Ormuz para reverter a queda de preço.
O que muda no bolso do consumidor brasileiro
A queda do petróleo ainda não chegou à bomba no Brasil. O diesel fechou outubro a R$ 7,19 o litro, alta de 4,81% sobre setembro, enquanto a gasolina recuou 0,30%, a R$ 6,71, segundo levantamento do IPTL.
A Petrobras ainda não decidiu se repassa a alta do diesel ao consumidor. Desde o início da guerra, a estatal manteve o diesel estável e elevou a gasolina menos que a cotação internacional, diz a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
A entidade calcula que a defasagem do diesel da Petrobras ante o mercado internacional gira em torno de 100%.
Um relatório do Goldman Sachs projetou que o diesel da estatal pode subir até 50% caso o governo não renove o subsídio ao importador, previsto até meados de novembro.
O que acontece agora
A Casa Branca segue as tratativas para um acordo temporário de paz, sem data certa para um desfecho. O risco de retomada de ataques ao Irã cresce com a proximidade das eleições de meio de mandato dos EUA.
A Petrobras ainda não sinalizou se vai repassar aos brasileiros a diferença entre o preço pago lá fora e o praticado aqui.































