Os estoques de petróleo dos Estados Unidos caíram 3,061 milhões de barris na semana até 16 de outubro, dez vezes mais que o esperado pelo mercado, segundo o Departamento de Energia dos EUA (DOE). A alta já aperta o diesel vendido no Brasil.

Segundo o DOE, os estoques de gasolina caíram 2,952 milhões de barris, para 205,310 milhões, quando o mercado esperava estabilidade. Os estoques de destilados, categoria que inclui o diesel, subiram 1,675 milhão de barris, para 104,286 milhões.

A expectativa era de queda de 1,3 milhão de barris nos destilados. A taxa de utilização das refinarias recuou de 93,5% para 93,4%, abaixo da previsão de 93,6%.

A alta do barril tem como pano de fundo a escalada no Oriente Médio. Rebeldes houthis do Iêmen afirmam ter atacado, no dia 19, uma instalação da Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah e dois aeroportos sauditas.

A Guarda Revolucionária do Irã confirma que um navio afundou após atingir uma mina no Estreito de Ormuz. O fluxo pela rota, por onde passa um quinto do petróleo mundial, caiu de mais de 20 milhões para 8,5 milhões de barris por dia.

O que muda no bolso do consumidor brasileiro

O bolso do consumidor brasileiro sente a pressão pela defasagem: a diferença entre o preço da Petrobras e o valor de importação do diesel chegou a R$ 3,50 por litro na segunda-feira (19), segundo a Abicom.

Esse valor praticamente iguala o subsídio de R$ 3,52 por litro criado para os importadores. Na gasolina, a defasagem está em 20%, equivalente a R$ 0,43 por litro.

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Na Refinaria de Mataripe, na Bahia, a diferença chegava a 44% no diesel e 11% na gasolina no mesmo fechamento. O impasse em Ormuz já custava bilhões ao governo brasileiro em semanas anteriores.

Em nota à imprensa, a Abicom resumiu o risco que o mercado internacional representa para a política de preços:

A disparada do preço do petróleo no mercado internacional está colocando em risco o novo aumento dado à subvenção do diesel.

Isso quer dizer que, se a paridade de importação ultrapassar o valor do subsídio, a diferença volta a pressionar o preço na bomba ou o caixa da Petrobras.

O aperto já vinha se desenhando na véspera, quando o Brent fechou a US$ 111 o barril. O novo dado do DOE confirma que a oferta nos Estados Unidos ficou mais apertada do que o mercado previa.

O que está em jogo com o subsídio

A Abicom aponta que a alta internacional ameaça o espaço criado pelo governo para segurar o preço do diesel na bomba. Se a paridade ultrapassar o subsídio, falta definir se o consumidor ou a Petrobras absorve a diferença.