O superávit da balança comercial brasileira saltou 146,4% em setembro, para US$ 7,74 bilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic. As exportações somaram US$ 34,4 bilhões no mês, alta de 12,9%.
O resultado esconde uma mudança de rota: o Brasil está exportando mais para os Estados Unidos e a Europa, e menos para a China.
As exportações para os Estados Unidos subiram 31,9% em setembro ante o mesmo mês de 2025, enquanto as vendas para a China caíram 7,6%, segundo o Valor.
O contraste chama atenção porque 2026 é o ano do tarifaço: em setembro, um mês antes, as exportações brasileiras aos EUA ainda caíam 9,7% por causa das sobretaxas de Donald Trump.
Por que as vendas aos EUA dispararam
A virada tem uma explicação concreta: em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas recíprocas de Trump, invalidando a justificativa de emergência de segurança nacional usada por ele. Trump reagiu atacando publicamente a decisão da Corte.
Com a derrubada, cerca de 46% das exportações brasileiras aos EUA (US$ 17,5 bilhões em valor de 2025) passaram a entrar sem sobretaxa adicional. Aviões, por exemplo, foram zerados, numa alíquota que era de 10%.
Ainda assim, 25% das exportações seguem sob a tarifa global de 10% (podendo subir a 15%), e 29% sob tarifas setoriais que atingem principalmente aço e alumínio. Antes da mudança, cerca de 22% das exportações brasileiras enfrentavam tarifas de até 40-50%.
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O padrão já havia aparecido em outros produtos: a exportação de carne bovina aos EUA subiu 385% mesmo com o tarifaço, em dado divulgado em setembro.
O que puxou o resultado do mês
Internamente, quem mais cresceu foi a indústria extrativa, com alta de 39,8% nas exportações, puxada pelo petróleo: as vendas de óleos brutos somaram US$ 6,499 bilhões, alta de 77,3%. Petróleo e minério já vinham sustentando recordes da balança em agosto.
Na agropecuária, os destaques foram a soja (+11,9%) e o café não torrado (+8,7%). Com o resultado, o Mdic revisou a projeção de superávit do ano: de US$ 90 bilhões, estimados em julho, para US$ 84,4 bilhões.
O ponto em aberto
O dado de setembro mostra uma rota comercial mudando de direção dentro do mesmo ano, puxada por uma decisão judicial nos Estados Unidos, não por uma negociação direta entre os dois países.
As tarifas setoriais sobre aço e alumínio continuam valendo, e cobrem quase 29% das exportações brasileiras ao mercado americano. Resta saber se a recomposição das vendas aos EUA se sustenta nos próximos meses, ou se é um efeito pontual de setembro.





























