O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (2) que o fluxo diário de cerca de R$ 600 milhões via Pix para casas de apostas foi "basicamente anulado" desde a proibição das bets, e que o dinheiro já migra para outros setores da economia.

Segundo o Banco Central e os próprios bancos, houve queda no uso do Pix para as bets. "O indício que a gente tem hoje é que o dinheiro está indo para outros setores da economia", afirmou Durigan.

O número de transações de Pix caiu cerca de 10% nos três dias seguintes à publicação da MP, segundo o Valor.

O saldo nas contas das casas de apostas também caiu: de R$ 2,1 bilhões na sexta-feira anterior para cerca de R$ 1,4 bilhão agora, queda de mais de 30% (R$ 652 milhões).

Quem ainda tem saldo precisa pedir o resgate até esta segunda-feira (5).

A fiscalização identificou 48 contas de pessoas físicas com saldo acima de R$ 500 mil cada, que passarão por análise mais detalhada. Questionado se poderiam estar ligadas a lavagem de dinheiro, Durigan respondeu que "pode ser que sim".

Parte do setor bancário vê a proibição com bons olhos: há indícios de que as bets corroíam o orçamento de famílias de baixa renda e aumentavam a inadimplência. Mas há críticas à insegurança jurídica: juristas apontam fragilidades na forma como a proibição foi editada.

Antes da proibição, boa parte desse dinheiro ia para o patrocínio esportivo: o fim das bets deve tirar R$ 2,5 bilhões dos clubes de futebol que tinham bets como patrocinadoras.

Mas nem todo esse dinheiro está indo para setores legais: o número de sites ilegais de apostas disparou 141% no mesmo período. A Fazenda também investiga a Blaze por uma falha de R$ 2 bilhões no combate a fraudes.

O que acontece agora

O prazo para resgate dos valores remanescentes termina nesta segunda (5). Casos suspeitos de lavagem de dinheiro entre as 48 contas identificadas devem ser encaminhados à Polícia Federal.

O ponto em aberto

Durigan diz que o dinheiro da aposta migrou para "outros setores da economia", mas o governo ainda não detalhou quais.

Enquanto isso, sites ilegais cresceram 141% e 48 contas milionárias viraram alvo de suspeita de lavagem. O relatório final, prometido por "várias equipes" do governo, ainda não tem data.