O departamento jurídico da Fifa concluiu, em caráter sigiloso, que o Congo escalou um jogador inelegível nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. A informação é de documentos internos analisados pelo The New York Times e teve as conclusões confirmadas pela própria Fifa.

O Congo precisava vencer um confronto eliminatório contra a Jamaica para chegar à Copa pela 1ª vez em 52 anos. Em silêncio, a Fifa permitiu que o jogador e a seleção seguissem na disputa.

O Congo derrotou a Jamaica e garantiu a vaga no torneio.

Quem é o jogador no centro do caso

O goleiro Lionel Mpasi, de 32 anos, defendeu as seleções de base da França antes de optar pelo Congo, país com o qual tem vínculos familiares.

Ele nunca completou a documentação exigida pela Fifa para a mudança de federação, segundo os documentos obtidos pelo NYT.

A análise sobre o caso começou depois de uma denúncia da Nigéria, time que havia perdido para o Congo na final do playoff africano por 4 a 3 nos pênaltis, após 1 a 1 no tempo normal.

Vencido o playoff, o Congo avançou à fase intercontinental e eliminou a Jamaica.

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O que diz a Fifa

A Fifa não negou nenhuma conclusão do NYT. Em nota ao jornal, afirmou apenas que rejeitou o protesto da Nigéria por uma questão técnica.

A entidade disse que seus comitês são autônomos e decidem com base nos regulamentos e nos fatos de cada caso, sem participação de Infantino.

O comitê disciplinar da entidade declarou o protesto nigeriano inadmissível. Internamente, dirigentes da Fifa desenharam alternativas: conceder a vitória à Nigéria, multar o Congo, repetir o playoff com a Nigéria no lugar do Congo, ou não tomar nenhuma medida.

O que acontece agora

O episódio chega em um momento de desgaste crescente de Infantino à frente da Fifa. A entidade já havia revogado a suspensão de um jogador dos Estados Unidos após uma ligação entre o dirigente e o presidente americano Donald Trump.

Negociações sigilosas para vender participação em futuros torneios a um fundo ligado à família de Trump levaram um assessor a renunciar em protesto.

Nas últimas semanas, Infantino também viu a Suíça retirar o apoio à sua candidatura à presidência da Fifa, dias depois de, sob pressão, admitir aumentar o repasse da Fifa às federações. O caso do Congo ainda não teve desfecho anunciado pela entidade.