Eduarda Campopiano (PL) foi eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos, a maior votação do país para o cargo em 2026. Mas 14 dos 20 projetos de lei que apresentou como vereadora copiavam textos de outros políticos, segundo a BBC News Brasil.
Os textos-fonte identificados vêm de nomes como Rubinho Nunes (União Brasil), vereador de São Paulo, e Lucas Pavanato (PL-SP), hoje deputado federal mais votado do país.
Também aparecem um programa da deputada catarinense Ana Campagnolo (PL) e uma proposta da Câmara de Serra, no Espírito Santo.
Os erros que entregaram a cópia
Um projeto sobre educação financeira manteve a expressão "cidadãos paulistanos", da capital, em vez de Praia Grande, cidade que Campopiano representa. Outro, sobre multas por uso de maconha, destinava recursos para Serra (ES), a mais de 700 km de distância.
Um terceiro projeto citava o órgão COSAP, que existe apenas na cidade de São Paulo, sem equivalente em Praia Grande. Um dos textos ainda trazia um link com a marcação "utm_source=chatgpt.com", rastro de que o conteúdo veio de uma resposta pronta do ChatGPT.
De 3,5 mil para quase 2 milhões de votos
Campopiano tem 23 anos e é influenciadora digital. Entrou para a política em 2024, quando foi eleita a vereadora mais jovem da história de Praia Grande com apenas 3.583 votos, a quarta colocada entre os candidatos à Câmara Municipal.
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Dois anos depois, sua base de seguidores a levou a quase 2 milhões de votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo, uma cadeira entre as 94 que o PL ajudou a renovar na eleição deste ano.
O salto de votos faz parte de um fenômeno maior: cinco deputados federais sozinhos somaram quase 9 milhões de votos no mesmo pleito. Boa parte dos vereadores paulistas tentou o mesmo salto de cargo em 2026.
Procurada pela BBC, Campopiano não respondeu até o fechamento da reportagem.
O ponto em aberto
Copiar texto de outro mandato não é, por si, proibido na produção legislativa brasileira. O problema que a apuração escancara é o que a cópia malfeita revela: nenhuma adaptação à realidade da própria cidade, em projetos que a vereadora assinou e apresentou como seus.
Falta saber se o mesmo padrão vai se repetir na Assembleia Legislativa, com mandato de quatro anos e orçamento de gabinete muito maior do que o de uma Câmara Municipal.





























