O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta terça-feira (6) que subsídio ao consumo de combustível pode custar até seis vezes mais que transferência direta às famílias mais pobres. O Brasil já gastou cerca de R$ 40 bilhões tentando conter o preço do combustível.

A declaração está no capítulo 2 do relatório Perspectivas da Economia Mundial, do FMI. O título do capítulo é "Navegando em um Mundo Propenso a Choques: Lições das Crises de Custo de Vida".

O FMI cita as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além da pandemia de Covid-19, como exemplos de choques de oferta. Esses choques forçam governos a intervir no preço de itens básicos. É nesse grupo que o fundo classifica a atual alta dos combustíveis.

No Brasil, um dos efeitos mais diretos da guerra no Oriente Médio é a alta do combustível. O conflito, que envolve Estados Unidos, Irã e Israel, pressionou o preço internacional do petróleo.

O governo federal informa ter aplicado os R$ 40 bilhões em subsídios às refinarias para segurar o reajuste. Ainda assim, os preços na bomba continuaram subindo.

O FMI resume o argumento central do capítulo assim:

Oferecer o mesmo nível de proteção a famílias de baixa renda por meio de subsídios ao consumo pode exigir de três a seis vezes mais recursos fiscais do que transferências direcionadas.

A recomendação chega em meio à desaceleração da inflação brasileira. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,22% até agosto, segundo o IBGE.

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O resultado ainda está acima do centro da meta de 3% do Conselho Monetário Nacional. Em agosto isolado, houve deflação de 0,32%, puxada principalmente pela queda na conta de energia elétrica.

Os números mostram por que o remédio tem sido caro: o Brasil optou pelo subsídio generalizado, o mais custoso dos dois caminhos que o FMI avalia, e segue com a inflação de combustíveis pressionando o índice geral de preços.

O cenário internacional é parte do problema. A Administração de Informação Energética dos Estados Unidos projeta o petróleo Brent em média de US$ 105 o barril no quarto trimestre, por causa das restrições no fornecimento do Oriente Médio.

Esse patamar já levou o governo a gastar quase R$ 10 bi só para segurar o diesel em setembro.

Nos últimos dias, contudo, os preços recuaram. O alívio veio com a retomada do diálogo entre Irã e Catar e a liberação de estoques do G7.

O bloco já havia liberado reservas de diesel para conter a alta do preço no início do mês.

É pouco.

O que acontece agora

O texto completo da Perspectivas da Economia Mundial, com números detalhados por país, deve ser divulgado em 13 de outubro, durante a Reunião Anual do FMI em Bangcoc, na Tailândia. Até lá, o governo brasileiro mantém o subsídio aos combustíveis ativo.