O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira (25), em jantar com mais de 740 empresários ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que a queda da taxa de juros vai entrar para a história como legado do governo.

"Vamos tratar como legado de Lula a diminuição da taxa de juros, que tem que ser estrutural", disse Durigan.

Ele também afirmou que "o país está mais fiscalmente arrumado" e que Lula, se reeleito, fará ajuste fiscal e terá rigor com o gasto público, em contraste com o que classificou como despesas do governo anterior sem fonte de receita.

O que mostra a série histórica da Selic?

A Selic estava em 13,75% ao ano quando Lula tomou posse, em janeiro de 2023. O Banco Central cortou a taxa gradualmente até um piso de 10,50% em 2024.

A partir de setembro daquele ano, porém, o Copom reverteu o movimento e voltou a subir os juros, num ciclo que levou a Selic a 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

Só em março de 2026 o Banco Central iniciou um novo ciclo de cortes. Na quinta reunião seguida, em 16 de setembro, o Copom reduziu a taxa para os atuais 13,75%, de forma unânime.

A Selic de hoje é, portanto, idêntica à do início do governo Lula, depois de uma volta completa entre o piso e o teto do mandato.

O mercado financeiro concorda com o ministro?

Não integralmente. Pesquisa do Banco Central mostra que economistas de mercado esperam déficit primário até 2029, mesmo com o governo projetando superávit em suas metas fiscais.

Segundo Roberto Secemski, do Barclays, estabilizar a dívida até 2031 exigiria esforço fiscal de 2,5 pontos do PIB, uns R$ 350 bilhões. O Orçamento de 2026 já classifica 92% do gasto primário como obrigatório.

A queda da Selic, sozinha, também não chegou ainda ao bolso de quem toma empréstimo: o juro cobrado das famílias subiu mesmo com a taxa básica em queda desde março, mostrando que o repasse ao consumidor final segue outra lógica.

O ponto em aberto

Falta saber se os cortes do Copom resistem à pressão fiscal que o Barclays descreve, no debate sobre qual ajuste caberia ao Brasil. O Banco Central já sinalizava o corte antes do jantar, o que separa o mérito econômico do discurso de campanha.