O artista plástico Romero Britto quebrou o silêncio sobre o quadro que presenteou o então presidente Jair Bolsonaro em 2019, nos Estados Unidos. Na autobiografia "A Arte da Felicidade", lançada em agosto, ele diz que o gesto foi mal interpretado como alinhamento político.

O quadro, por minha parte, era uma homenagem. Ainda assim, o que para mim foi um gesto cívico dirigido a um representante de uma nação logo passou a ser interpretado como alinhamento político.

O encontro aconteceu durante agenda oficial de Bolsonaro e da então primeira-dama, Michelle Bolsonaro, nos Estados Unidos, em 2019. Britto, nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Embratur, entregou o retrato ao casal no próprio ateliê.

"Arte é política, mas sem partido"

Ao comentar o episódio no livro, Britto defendeu que a arte não deve se limitar a um único posicionamento político. Ele citou personalidades que retratou ao longo dos últimos 20 anos, de republicanos e democratas dos EUA a petistas e tucanos brasileiros.

Os nomes retratados por Britto são muitos.

Incluem a realeza britânica, democratas e republicanos dos Estados Unidos, tucanos e petistas, entre eles o presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff, de quem pintou um retrato em Brasília.

Sobre o retrato de Dilma, ele recordou: "Foi um gesto pessoal, alheio a qualquer campanha política. Tinha a ver com um marco histórico, não com um partido."

"Já pintei quadro para Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, João Doria, Sérgio Cabral... Costumo retratar o político eleito democraticamente pela maioria do povo, independentemente da ideologia. E sempre torço para que o eleito faça algo positivo para o povo", disse Britto.